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Análise – Hitman: The Complete First Season

2016 viu a estreia do formato episódico na série HITMAN, e o resultado foi…inesperado. Eu fiquei muito relutante desde que foi anunciado um novo jogo que seria lançado por episódios. E o histórico da SE deixava-me ainda mais preocupado. Mas o resultado final é muito bom.

Para deixar bem claro, este novo HITMAN não é uma experiência casual, de forma alguma. É um jogo core do género (Stealth), e carrega esse título ao peito orgulhosamente, pois existem “apenas” 6 mapas nesta primeira temporada. Note-se o apenas entre aspas, pois estes mapas são enormes, com uma imensidão de formas de entrar nos locais mais restritos, havendo pequenas cidades como locais para explorar, ao contrário dos antigos jogos que apenas se focavam em certas bases ou unidades. E o facto de podermos explorar uma pequena cidade, com alguns apartamentos acessíveis e até uma mansão enorme, com vários andares e um laboratório subterrâneo, explica o porquê de apenas haver 6 mapas originais. O potencial de cada um é imenso, e cada canto foi desenhado com algo em mente, onde temos vários locais com pequenas scooters, prontas a terem óleo a escorrer, colocadas precisamente onde podemos correr livremente durante uma fuga inesperada, associada à quantidade de rádios portáteis espalhados pela mesma cidade, prontos a transmitir o relato de futebol em directo e distrair os mais distraídos. Se há um ponto alto neste jogo que deva ser apreciado, é o level design, que se destaca pelo seu cuidado artesanal, pela forma como podemos interagir e usufruir do mesmo. Provavelmente, o melhor da série.

Não existe muita história nesta primeira temporada. E a pouca que há, ainda não está muito definida no universo HITMAN, mas ao jogarmos pela décima vez um mapa, depois de completarmos a história principal, vamos vendo que existem ligações entre personagens, e que torna estes mapas separados, num mundo interligado e um puzzle ainda maior do que realmente sabemos. Toda a acção e história torna-se mais orgânica, na sua forma de se apresentar e mostrar ao jogador o que acontece neste pequeno grande mundo. Apesar de haver pouca história, é impossível não ficar a desejar saber mais sobre o que vai acontecendo, e o que vai acontecer no futuro das próximas temporadas, tal como uma série televisiva.

HITMAN (2016) trouxe também novas coisas consigo. As oportunidades e o modo Instinto. Para quem jogou HITMAN: Absolution, o modo Instinto não é algo novo, mas para quem saltou esse capítulo, basicamente, é a principal ajuda usada pela maioria dos jogos hoje em dia, onde podemos detectar inimigos, NPC’s e alvos. Mas ao contrário de Absolution, este novo modo apenas identifica os alvos e não as suas rotas, sendo que torna o jogo mais difícil, felizmente, pois o caso anterior retirava a dificuldade e a ânsia pela descoberta do caminho dos nossos alvos. Já as oportunidades, introduz um elemento de ajuda na série, onde é explicado ao jogador, se ele quiser, o que fazer e como fazer, para chegar mais perto do alvo. Nem sempre estas oportunidades acabam com o alvo morto, mas ajudam na obtenção de disfarces ou acessos para tornar o nosso trabalho mais fácil.

Estes dois novos elementos, fazem parte da faceta mais casual no jogo, pois ajudam os jogadores mais inexperientes a entrarem no mundo de 47, e a perceber como funciona. Mas podem ser desligados, e devem o fazer, pois o mini-mapa que temos é mais que suficiente para encontrarmos tudo o que precisamos. Absolution removeu elementos próprios do género e introduziu elementos mais casuais e até de outras franchises conhecidas do género, em que podemos marcar e eliminar os inimigos com apenas um botão, sem alertas nem avisos, tal como acontecia em Splinter Cell: Conviction, onde as suas influências estão marcadas até hoje nos jogos Ubisoft e não só. Mas falemos do presente.

Já não existe um medidor de som, como havia em HITMAN: Blood Money, mas isso poderá até ser um ponto a favor. Não existe sprints neste jogo, e as animações podem até ser bastante robóticas, mas a jogabilidade central está perfeita para um jogo HITMAN. Diria até que está perfeita para um jogo stealth, onde podemos explorar várias hipóteses de como atacar os nossos objectivos. O grau de liberdade é imenso, e o jogo em si acaba por deixar alguns desafios para os jogadores, ainda que acabem por apenas fazer parte de uma lista, servem também para demonstrar nesta primeira temporada aquilo que é possível fazer.

Apesar de não haver propriamente uma escolha de dificuldades, existe o modo Normal e o modo Profissional. Mas para poderem jogar este último, têm de desbloquear o modo através dos desafios anteriormente referidos. Ao completarem desafios, desbloqueiam novas localidades e fatos, novos lugares secretos, e novas armas para melhor planearem o vosso próximo alvo. Associados as estes mapas, estão também a novas Escalations, onde várias missões são dadas, com certos alvos, e com uma dificuldade progressiva, sendo a primeira missão mais fácil, e a última mais difícil. São uma forma perfeita de ignorar os modos mais casuais, pois não existem oportunidades e todos os alvos são diferentes da história principal, logo o jogador tem de “puxar pela imaginação” e descobrir qual a melhor, e mais rápida, forma de eliminar, esconder e desaparecer do mapa. Já no modo Profissional, as coisas tomam um caminho diferente, sendo que temos menos liberdade de fazermos o que quisermos e todas as nossas acções ditarem o rumo da missão, dando uma prevalência à dificuldade e entraves na missão, tornando-se um desafio real a ultrapassar.

Em termos de componentes multijogador, temos os contratos, que ganharam fama no jogo anterior. Podemos criar uma contrato onde escolhemos os alvos, as armas e até as roupas, na altura do seu assassinato. Isto prolonga ainda mais a longevidade do jogo, introduzindo novas formas de jogar e novos alvos, tornando o jogo ainda mais longo e duradouro.

Mas por falar em duradouro, existe a necessidade de estarmos ligados ao servidor para podermos jogar. Sim, podemos jogar HITMAN (2016) offline, mas não desbloqueamos nada. Todo o nosso progresso é inacessível offline, e temos de estar constantemente ligados para podermos usufruir de todo o conteúdo desbloqueado, mesmo aquele que não fizermos download. E este é um dos pontos baixos de todo o jogo. O facto de ser necessária uma ligação para jogar a 100%. Esta é uma prática muito má em termos de consumidor, e está associada a um jogo excelente. Não existe uma única razão racional para que esta prática seja implementada, nenhuma mesmo. Se olharmos de uma forma pragmática, todos jogamos aquele jogo esquecido, numa consola velha. Olhando da perspectiva de HITMAN (2016), isto não é possível. Se daqui a 10/15 anos o servidor fechar (porque bem sabemos que irá fechar), não poderemos usufruir este título como deve ser. Quero acreditar que esta seja uma das práticas horrendas da Square Enix e a sua mania de manipulação, principalmente depois da carta aberta da IO-Interactive aos fãs da série, mas é de facto muito triste ver uma série que nos-é querida tornar-se num marco de más práticas corporativas.

Outro dos pontos baixos do jogo, poderá ser os Elusive Targets. Este modo é acessível uma única vez, e existe um limite temporário para o mesmo. Na altura em que estou a escrever esta análise, 21 alvos apareceram e não pude jogar um que seja. E segundo a minha única fonte de saber como estes alvos alteram o mundo onde estão, o YouTube, são muito diferentes de Escalations, havendo novas coisas para fazer e novas formas de o fazer. Esta é outra prática que sinceramente, não percebo qual o objectivo, além de fazer os compradores cuidadosos, ou simplesmente oportunos, sentirem-se pessimamente por não terem adquirido o jogo mais cedo. De um ponto de vista do consumidor, não faz sentido “humilhar” o jogador desta forma, mostrando aquilo que podíamos ter tido se tivéssemos obtido o jogo desde o inicio.

Mas mudando para um assunto mais agradável, a banda sonora do jogo está soberba. Apesar de já não termos Jesper Kyd e os seus elementos electrónicos e sombrios já conhecidos da série, temos em contra-partida uma banda sonora mais animada, mais dinâmica e mais…James Bond? Existe toda uma aura neste jogo que transparece a um submundo, muito próprio do agente inglês e toda a sua gama de disfarces, armas e maneirismos, faltando apenas as Bond Girls, tudo com um espírito muito animado e aventuroso, ao contrário dos jogos anteriores, que notava-se estarmos perante um mundo deturpado, ignóbil e perverso. De notar que não estou a reclamar deste aspecto, visto a banda sonora, e todo o jogo, sofrer uma alteração no seu comportamento, sem esquecer o tipo de humor presente na série, mas que é muito diferente dos jogos anteriores. Ainda assim, consegue formar um mundo credível, onde todos passam a maior parte do tempo a olhar para o telemóvel e a tirar fotografias com o mesmo, e tornar a experiência divertida, de um ponto de vista de jogabilidade.

Este novo título na série traz uma nova lufada de ar fresco, que a série necessitava, abdicando de traços mais casuais presentes no anterior jogo e adoptando uma jogabilidade mais exclusiva, complicada e divertida. O jogo dá-nos muitas horas de conteúdo por si só, e mais umas centenas com a ajuda da comunidade, mas peca muito pelo facto de ter algumas práticas péssimas pela perspectiva do consumidor, e que parecem ser cada vez mais comuns, com uma tendência a piorar no futuro. Ainda assim, o jogo merece toda a atenção dos fãs da série, tendo agora de esperar pela segunda temporada, e ver o que o futuro tem reservado para o mítico agente 47.

█ F.S.

2016 viu a estreia do formato episódico na série HITMAN, e o resultado foi...inesperado. Eu fiquei muito relutante desde que foi anunciado um novo jogo que seria lançado por episódios. E o histórico da SE deixava-me ainda mais preocupado. Mas o resultado final é muito bom. Para deixar bem claro,…
Jogabilidade - 96%
Gráficos - 87%
Som/Banda Sonora - 90%
Longevidade - 95%

92%

Óptimo

De notar que HITMAN sempre pareceu um jogo episódico, e esta forma de lançar conteúdo gradualmente não prejudica o tipo de jogo que é, antes pelo contrário, ajuda os jogadores a ultrapassarem o episódio actual da melhor forma e a tornarem-se peritos, para serem surpreendidos no próximo episódio. Uma transformação notável e que deverá agradar bastante aos jogadores menos casuais

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Filipe Silva
Aborrece-me:

Filipe Silva

Viciado em jogos de stealth, luta, beat'em ups e hack 'n slashes, mas um jogo com uma boa história e arte gráfica, é sempre bem vindo. E detesto MGS4.
Filipe Silva
Aborrece-me:

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