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Análise – Crash Bandicoot N. Sane Trilogy

Quase duas décadas desde que o último jogo da série Crash Bandicoot saiu, desenvolvido pela Naughty Dog, eis que temos direito a uma versão “remasterizada” em toda a sua glória. O jogo conta com visuais que lembram os jogos antigos, mas que ainda assim é possível distinguir as diferentes gerações em que saíram. E apesar de Crash Bandicoot já não ser o ícone que foi durante o fim dos anos 90, o jogo conseguiu safar-se muito bem.

Desde que a série saiu das mãos da Naughty Dog, que a sua popularidade desceu muito. Sem falar na quantidade de jogos cancelados, que seriam bastante ambiciosos pelos seus conceitos. Mas N. Sane Trilogy não quer saber disso, apenas quer reviver a era dourada da série da melhor forma: nova cara, mesma dificuldade. Sim, porque esta última fez parte duma polémica que comparava o jogo a Dark Souls pela sua extrema dificuldade. Na verdade, o jogo sempre foi assim tão difícil, apenas era habitual da altura. Sim, consegue ser frustrante no princípio, mas com o decorrer dos níveis jogados, pouco a pouco vamos adquirindo aquela sensibilidade de saber onde e quando devemos saltar/aterrar.

Tal como o nome indica, esta colecção tem três jogos: Crash Bandicoot, Crash Bandicoot 2: Cortex Strikes Back e Crash Bandicoot: Warped. E apesar de serem três jogos em um, é possível ver o carinho com que a série foi tratada pela Vicarious Visions, que tentaram recriar ao máximo a sensação dos jogos aquando da sua altura de lançamento, mas dando um toque a 2017, sem que pareça nada forçado. Muito sinceramente, acho que conseguiram. Em termos audiovisuais, o jogo está excelente: tem óptimos gráficos e cores, algo que os jogos abdicaram durante algum tempo e a banda sonora recria, muito fielmente, a banda sonora original, mas com a qualidade actual. E é de louvar tanta dedicação dada, pois maioria dos “remasters” servem apenas para aumentar a resolução e ganharem dinheiro fácil rapidamente. Assim sendo, agrada aos velhos fãs e atrai novos membros para a série. Único ponto negativo, é que os trailers demonstravam o jogo a 60 fps e no final, apenas está a 30 fps, tanto quanto sei. Não é algo muito negativo, mas prefiro sempre um jogo a 60 fps. No entanto, isso implica muito pouco no geral.

A jogabilidade não perdeu o seu encanto. Todos os seus problemas e qualidades, estão nesta colecção. Apesar dos três jogos partilharem o mesmo disco, cada um tem a sua jogabilidade de acordo com os originais, caso contrário, haveria puzzles muito fáceis no primeiro título que não incorpora alguns dos movimentos do segundo e terceiro. O primeiro é claramente o mais fraco dos três, sendo que o segundo equipara-se ao terceiro, apesar de serem experiências totalmente diferentes. Mas o facto de não serem tão lineares ajuda com que possamos desfrutar mais do jogo, sem ser tão frustrante. O mesmo acontecia há 20 anos atrás, logo a experiência está intacta. E podem jogar um dos três jogos quando quiserem, pois os três estão disponíveis desde o inicio, como seria de esperar. Apesar de “remasterizações” anteriores por parte da Activision, esta não tem qualquer tipo de micro-transações, o que dada a reputação da empresa é muito bom.

Crash Bandicoot é provavelmente o mais curto, mas possivelmente o mais difícil, logo existe um certo balanço na longevidade. Já o Crash Bandicoot 2: Cortex Strikes Back e o Crash Bandicoot: Warped, têm muito mais conteúdo, segredos, cristais, gemas, etc., o que prolonga imenso a experiência. No final, terão aqui umas boas semanas de conteúdo, se quiserem aprender tudo o que podem sobre o jogo, e apanhar os segredos todos. Sem falar nos míticos Time Trials, que faz com que esqueçam sobre o nível e apenas pede que o completem o mais depressa possível, em qualquer dos três títulos. E podem jogar como a irmã de Crash, Coco Bandicoot. Ela é inteiramente idêntica a Crash, em termos de jogabilidade, mas é interessante podermos escolher esta personagem em qualquer dos três títulos. E para os mais nostálgicos, ou os fãs mais dedicados à série, foi também lançado o nível anteriormente cancelado, por ser muito difícil, de forma gratuita durante algum tempo. Já não está gratuito, mas podem sempre adquirir aqui.

Concluindo, esta colecção tem um excelente factor Nostalgia/qualidade, ao contrário de muitas que são lançadas “às três pancadas”, apenas para tentar lucrar ao máximo. É muito bom ver esta dedicação por parte da Vicarious Visions, que tentou dar uma nova vida à série, de forma a que os fãs originais não se sintam deixados de lado, ao mesmo tempo que convida novos jogadores a experimentarem uma série muito importante dos jogos de plataformas dos anos 90, que infelizmente perdeu o seu brilho ao longo dos anos. Agora, resta saber se irão fazer mais uma colecção, agora dedicada aos jogos de corridas e party games, que foram lançados posteriormente a Warped.

█ F.S.

 

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy está disponível para a PlayStation®4. Para mais informações, visita o website oficial.

Quase duas décadas desde que o último jogo da série Crash Bandicoot saiu, desenvolvido pela Naughty Dog, eis que temos direito a uma versão "remasterizada" em toda a sua glória. O jogo conta com visuais que lembram os jogos antigos, mas que ainda assim é possível distinguir as diferentes gerações…

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy

Jogabilidade - 80%
Gráficos - 85%
Som/Banda Sonora - 85%
Longevidade - 90%

85%

Muito Bom

Esta colecção tem um excelente factor Nostalgia/qualidade. É muito bom ver esta dedicação por parte da Vicarious Visions, que tentou dar uma nova vida à série, de forma a que os fãs originais não se sintam deixados de lado, ao mesmo tempo que convida novos jogadores a experimentarem uma série muito importante dos jogos de plataformas dos anos 90, que infelizmente perdeu o seu brilho ao longo dos anos.

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Filipe Silva
Aborrece-me:

Filipe Silva

Viciado em jogos de stealth, luta, beat'em ups e hack 'n slashes, mas um jogo com uma boa história e arte gráfica, é sempre bem vindo. E detesto MGS4.
Filipe Silva
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