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Análise – Wolfenstein II: The New Colossus

The New Colossus é o segundo capítulo da nova trilogia Wolfenstein. Esquecendo toda a controvérsia que o título trouxe à baila, este novo jogo apresenta-nos um universo alternativo onde os Estados Unidos da América se renderam às forças Nazi. O jogo traz muita coisa nova, mas será coeso o suficiente?

Dois anos depois de The Old Blood e The New Order, este segundo capítulo conta com uma história mais densa e mais séria. Correcção, uma história mais densa e menos séria. Bem, na verdade este jogo conta com estas duas realidades, onde a história flutua entre extremamente séria e completamente doida. Mas ao contrário de DOOM, este jogo não tem uma narrativa consistente, saltando entre movimentos dos direitos civis, e mulheres nuas grávidas a lançar granadas e a disparar metralhadoras contra os Nazi. Eu não me importo com histórias e cenas tresloucadas, mas quando o resto da história não parece fazer parte do mesmo universo e com as mesmas regras, é impossível seguir a história com satisfação ou interesse. E isso é bastante percetível neste jogo. Basicamente, a história não é má, ou boa o suficiente, para tornar-se interessante, apesar do excelente conceito inicial.

A ideia dos EUA terem sido dominados pelos Nazis e como toda a sua cultura muda com esse acontecimento, é uma excelente ideia para o jogo, e foi basicamente o que me tornou interessado no jogo. Mas no panorama geral, este jogo sofre o problema de muitas trilogias, parece que é apenas um título para encher espaço (leia-se “encher chouriços”) até o final da trilogia estar pronto. Os acontecimentos que realmente deviam ser mostrados ao jogador, aconteceram todos antes de acordarmos, e apenas temos pequenos trechos de texto, como cartas, diários, jornais, postais, etc., para nos lembrar como eram as coisas antes e depois do domínio Nazi. Mas depois temos situações que tentam animar o ânimo do jogo, quando perdemos uma das nossas aliadas, de forma brutal e devastadora. E é neste pingpong que a história perde a sua força, infelizmente, ficando-se entre MUITO SÉRIA e NADA SÉRIA, sem haver um ponto de coesão entre as duas. Falta aqui algo que consiga conectar eficazmente os dois elementos da narrativa. Ao menos não temos uma personagem que apenas serve para levantar o ânimo e nada mais, e temos sim um elenco que tem várias emoções, até mesmo B.J. que consegue ser engraçado nos seus tons secos.

Um pouco como acontece com a história, a jogabilidade também flutua entre Stealth e jogo de acção. E também como a história, a dinâmica das duas vertentes não é a melhor. Apesar da jogabilidade como jogo de acção ser muito boa e extremamente satisfatória, a jogabilidade furtiva fica muito a desejar. Ao contrário de Metal Gear Solid, Thief ou até Dishonored, não existe um indicador gráfico que nos mostra o quão furtivos estamos a ser naquele momento, nem um campo de visão dos inimigos. E como tal, nunca sabemos se estamos realmente a ser furtivos ou não. Se estivermos num nível aberto, num andar abaixo dos inimigos, estes ouvem-nos, mas não nos vêem, independentemente da nossa posição, agachado ou em pé. E o facto de um inimigo poder olhar-nos de canto e alertar toda a base, sem haver qualquer tipo de disparos ou grandes barulhos também não ajuda. E isso acaba por ser frustrante, a longo prazo. O jogo não compensa realmente jogar de forma furtiva, excepto em casos de haver muitos inimigos e ser, relativamente, mais fácil acabar um sala dessa forma, caso os inimigos sejam demasiado fortes.

Mas ainda assim, o jogo funciona muito por tentativa e erro, o que não ajuda a tornar a jogabilidade furtiva apelativa, sem contar com o facto do jogo fazer autosave em alturas altamente impróprias, como logo após termos sido descobertos pelos inimigos. Apesar das raízes do jogo serem a furtividade, The New Colossus não eleva este tipo de jogabilidade de forma a a tornar interessante ou recompensadora. Retirando a furtividade, a jogabilidade é satisfatória, apesar de haver picos de dificuldade, que poderão ser complicados de ultrapassar, mas sempre de forma divertida. E é onde a jogabilidade realmente brilha, nos confrontos directos. Mas como no principio do jogo não temos muito energia, é complicado abrir todas as portas a pontapé, pois o mais provável é que devemos morrer ali mesmo. Também não existem propriamente bosses, além dos “mini bosses” existentes que podem ser facilmente derrotados com a táctica certa.

Em termos de grafismo e apresentação, o jogo melhorou imenso. Os gráficos são extremamente bons, mesmo na PS4, e apesar de o último Wolfenstein ter saído na mesma geração houve melhorias significativas. Tanto a nível de jogo, como cutscenes, a apresentação é fenomenal, sendo um dos jogos mais bonitos graficamente desta geração, o que é irónico visto haver muitas cores mudas excepto em alguns casos específicos. O jogo tem muita violência, e o facto de ter uma excelente fidelidade gráfica, poderá levar jogadores a “não gostarem” do jogo em certos momentos mais violentos, como algumas decapitações presentes. O tom do jogo é levado a meio termo nestes momentos, porque apesar da violência ser exagerada, o jogo muda radicalmente de tom e forma como apresenta a cena. Não é algo mau, antes pelo contrário, mas pode alienar vários jogadores que não estão habituados a este tipo de situações em jogos com conteúdo mais maduro. Os efeitos de partículas e outros presentes no jogo, são um espetáculo visual e que dão uma camada de polimento ao jogo que não existe em muitos jogos.

A banda sonora, tal como aconteceu com DOOM (2016), é composta por Mick Gordon, o compositor conhecido pelo seu lado mais pesado. Mick Gordon é também conhecido por incorporar elementos dos mundos criados na suas próprias músicas, dando ainda mais vida à sua composição musical. Apesar da banda sonora ser original, não acho que seja tão memorável como a de DOOM, que soa muito actual, pesada e cheia de referências ao mundo de DOOM e da banda sonora original. Ainda assim, vale muito a pena ouvir depois de jogar. E o design de som está excelente, com as armas a soarem brilhantemente nítidas e bastante altas, e o meio ambiente envolvente, com as conversas aleatórias dos guardas ou os assobios de aborrecimento dos mesmos, ou até mesmo os rosnares do cães danados. As performances dos actores são também algo a notar, sendo que existem momentos que realmente nos deixam com vontade de bater em alguém. Seja pelo que fazem aos nossos colegas, seja pelo facto de serem vis e cruéis. Estes são realmente pontos altos da história e da sua representação.

No geral, o jogo tem dupla personalidade, em que num momento estamos a derrotar colossos enormes e num tom sério, como estamos a ouvir conversas de casa de banho de forma sorrateira. Não existe aqui coesão de temas nem de jogabilidade. Ser furtivo neste jogo não compensa, a não ser gostem muito de repetição, repetição, repetição, num jogo que não é um sandbox. Não existe uma linha bem definida entre a furtividade e o núcleo do jogo, sermos um super soldado no meio de multidões de guardas, cães robóticos e cenários fantásticos. Toda a história tinha tudo para ser um marco em termos narrativos para os videojogos, mas fica aquém do conceito e premissa por detrás de toda a “dinastia” do jogo. Ainda assim, foi um jogo que me divertiu durante toda a sua jogabilidade, que me frustrou muito no inicio com a sua pseudo-furtividade pela repetição de tentativa e erro. Caso escolham jogar de forma directa, mas táctica, o jogo torna-se muito mais divertido, aliciante e recompensador. Espero apenas que a história possa dar um salto significativo no último título da trilogia, além da jogabilidade.

█ F.S.

Wolfenstein II: The New Colossus está disponível para a PlayStation®4, Xbox One e PC. Para mais informações, visita o website oficial.

The New Colossus é o segundo capítulo da nova trilogia Wolfenstein. Esquecendo toda a controvérsia que o título trouxe à baila, este novo jogo apresenta-nos um universo alternativo onde os Estados Unidos da América se renderam às forças Nazi. O jogo traz muita coisa nova, mas será coeso o suficiente?…

Wolfenstein II: The New Colossus

Jogabilidade - 65%
Gráficos - 95%
Som/Banda Sonora - 85%
Longevidade - 70%

79%

Bom

No geral, o jogo tem dupla personalidade, em que num momento estamos a derrotar colossos enormes e num tom sério, como estamos a ouvir conversas de casa de banho de forma sorrateira. Não existe aqui coesão de temas nem de jogabilidade. Toda a história tinha tudo para ser um marco em termos narrativos para os videojogos, mas fica aquém do conceito e premissa por detrás de toda a "dinastia" do jogo. Ainda assim, foi um jogo que me divertiu durante toda a sua jogabilidade, que me frustrou muito no inicio com a sua pseudo-furtividade pela repetição de tentativa e erro. Caso escolham jogar de forma directa, mas táctica, o jogo torna-se muito mais divertido, aliciante e recompensador.

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Viciado em jogos de stealth, luta, beat'em ups e hack 'n slashes, mas um jogo com uma boa história e arte gráfica, é sempre bem vindo. E detesto MGS4.
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