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Análise – Sekiro: Shadows Die Twice

Sekiro não é um Tenchu, nem um Dark Souls/Bloodbourne, ainda que tenha elementos de cada um. Mas será que a mistura resulta num jogo competente e decente? Sendo da FromSoftware, a resposta é provavelmente sim, mas é mais complicado do que isso.

Apesar de não ser fã de Dark Souls/Bloodbourne, percebo perfeitamente o interesse da série. Exige um conhecimento extremo do jogo, ao ponto de ser jogado quase à base de reacções, em vez de acções. O que lembra um pouco os jogos de luta, visto que as tácticas são planeadas previamente, mas existem situações de pressão que torna o planeamento obsoleto e nos obriga a tomar decisões competentes em nano-segundos. Existe uma certa adrenalina neste tipo de jogo, que compreendo perfeitamente e como jogador afincado de jogos de luta, é um dos motivos que me faz voltar sempre aos jogos de luta: a adrenalina. Mas Sekiro não é igual aos jogos mencionados anteriormente. Podemos jogar Sekiro praticamente sem grandes confrontos durante, excepto bosses e mini-bosses. Ou então nem enfrentar inimigos de todo, ainda que percamos grande parte da experiência ou algum item/informação que poderemos necessitar mais à frente.

Se não explorarmos os locais a pente fino, podemos até perder secções inteiras do jogo, sem nunca dar por isso. Algumas secções do jogo são acessíveis através de itens especiais, que fazem com a história seja desvendada. Normalmente, a FromSoftware costuma divulgar as suas histórias de forma diferente de todos os outros produtores, e presumo que seja assim em Dark Souls/Bloodbourne, o que continua semelhante neste título. A história é lentamente desvendada, e costuma ir aos zigue-zagues, uma vez no presente outra no passado, até que a história seja totalmente desvendada. Existem até bosses secretos, em que é necessário fazer um caminho diferente ou arranjar um item em especifico para podermos desbloquear a secção/luta. Sekiro é um jogo com uma história bem diferente do costume, mas muito envolvente. Se quiserem desbloquear tudo o que o jogo tem para oferecer, têm bastante para jogar, aumentado bastante o facto de longevidade. Apesar de não ser despejada toda a informação necessária para compreender o que realmente se passa, vamos lentamente sabendo quais são os nossos objectivos durante o desvendar da trama.

Voltando ao tópico da jogabilidade, esta tanto poder ser extremamente rápida, como muito lenta, o que deverá agradar a vários tipos de jogadores. É o jogador que define o ritmo do jogo, ainda que certas secções terão de ser feitas de uma maneira ou de outra. Da mesma maneira que podemos definir o nosso próprio ritmo, a jogabilidade é muito precisa e, que eu tenha presenciado, não existem bugs ou problemas no jogo que vos atrapalhe a experiência. Existiram fases em que o framerate do jogo sofria alguns problemas, mas nunca me aconteceu em alturas de combate. No entanto, fica o aviso de que o jogo poderá ter quebras nas consolas. E é também na jogabilidade que podemos ver o que a produtora retirou de cada “gene” dos antigos títulos em que trabalhou: temos a possibilidade de sermos furtivos e não dar nas vistas, como podemos correr durante todo o jogo e derrotar cada inimigo num piscar de olhos.

A história e o level design, associados à jogabilidade, torna Sekiro num jogo bastante detalhado e cheio de surpresas. O inimigos que não sofrem danos mortíferos, podem sempre voltar ao ataque, sem falar nos inimigos mais fortes que tenham várias camadas de vida, que não conseguem matar com só um ataque. E a precisão dos ataques inimigos pode fazer com que tenhamos as sensações mais frustrantes nos videojogos, principalmente depois de se explorar uma secção inteira do jogo, mesmo quase até ao estátua idolatrada que grava todo o nosso progresso, mas que por um fio de cabelo…não conseguimos acabar com a vida do nosso adversário. E toca a passar a secção toda outra vez. No entanto, a FromSoftware faz qualquer coisa de mágico que nos faz agarrar ao jogo, e da próxima vez que explorarmos aquele mesmo sítio, será de uma maneira mais eficiente e, provavelmente, rápida, tornando a jogabilidade facilmente um dos melhores aspectos do jogo.

Tendo em conta a época que o jogo é situado que foi definida pelas suas guerras constantes e revoltas civis (Sengoku), é muito normal vermos castelos e aldeias banhadas em chamas, lá ao fundo do horizonte. Fazendo parte do nosso horizonte, a probabilidade de ser explorado é muito grande, o que faz com que haja muito terreno para explorar e encontrar todo o tipo de relíquias ou presenças indesejadas. Os gráficos estão muito bons, tendo em conta a escala do jogo e o que é possível explorar sem um único loading. É claro, existem “pequenas” secções do jogo que não podem ser exploradas com o decorrer continuo do jogo e é mesmo necessário voltar a uma parte especifica do mapa, e a partir daí o mapa ser acedido por via de uma cutscene ou algo semelhante. Mesmo em mapas grandes, tudo decorre de forma fluida, sem carregamentos que possamos notar. Existem algumas texturas que poderiam ser mais trabalhadas nalgumas partes do jogo, mas nada por aí além. E para realçar os grandes mapas, temos uma banda sonora excelente, acompanhada de efeitos sonoros cortantes e o som de sandálias a percorrerem os campos de flores, é de facto um jogo com uma grande variedade sonora, que nos mantém agarrados a este mundo tenebroso e violento. Mesmo após várias horas de jogo, desde o menu aos temas de cada boss, vemos um empenho em demonstrar a época em que o jogo se insere. Notavelmente, uma das melhores bandas sonoras num jogo tradicionalmente japonês.

Sekiro: Shadows Die Twice não é um jogo para toda a gente. Sekiro poderá nem ser para todos os fãs de Dark Souls, apesar da sua tremenda precisão e forma que trata o jogador como qualquer outro elemento do mundo em que o rodeia no jogo, uma sensação bem conhecida pela série mais famosa da produtora. Sekiro também pode não ser o diamante em bruto que os fãs de Tenchu procuram encontrar neste título. Mas apesar de absorver pequenas coisas de cada mundo, é possível ver como a soma de todas as partes resulta tão bem e funciona. É um jogo difícil de explorar, principalmente se vieram às cegas para o título, mas justo. Se perderam, a culpa é totalmente vossa. Mesmo sendo frustrante, é um título que merece a atenção dos jogadores, principalmente porque o futuro da série vai depender da produtora, porque a Activision deverá querer mais títulos no futuro. E boa sorte a todos aqueles que se aventuram neste mundo bizarro, repleto de desafios constantes e um pior que o anterior, pois vale muita a pena experimentar o jogo.

█ F.S.

 

SEKIRO: SHADOWS DIE TWICE está disponível para a PlayStation®4, Xbox One, e na STEAM® para o PC. Para mais informações, visita o site oficial.

Sekiro não é um Tenchu, nem um Dark Souls/Bloodbourne, ainda que tenha elementos de cada um. Mas será que a mistura resulta num jogo competente e decente? Sendo da FromSoftware, a resposta é provavelmente sim, mas é mais complicado do que isso. https://www.youtube.com/watch?v=rXMX4YJ7Lks Apesar de não ser fã de Dark…

Sekiro: Shadows Die Twice

Jogabilidade - 92%
Gráficos - 87%
Som/Banda Sonora - 94%
Longevidade - 98%

93%

Muito Bom

Sekiro: Shadows Die Twice não é um jogo para toda a gente. Poderá nem ser para todos os fãs de Dark Souls, apesar da sua tremenda precisão e forma que trata o jogador como qualquer outro elemento do mundo em que o rodeia no jogo, uma sensação bem conhecida pela série mais famosa da produtora. Também pode não ser o diamante em bruto que os fãs de Tenchu procuram encontrar neste título. Mas apesar de absorver pequenas coisas de cada mundo, é possível ver como a soma de todas as partes resulta tão bem e funciona. Boa sorte a todos aqueles que se aventuram neste mundo bizarro, repleto de desafios constantes e um pior que o anterior, pois vale muita a pena experimentar o jogo.

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Filipe Silva
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Filipe Silva

Viciado em jogos de stealth, luta, beat'em ups e hack 'n slashes, mas um jogo com uma boa história e arte gráfica, é sempre bem vindo. E detesto MGS4.
Filipe Silva
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