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Microlandia leva a realidade económica e social para o género city builder

O jogo de construção de cidades simula cidadãos individualmente e transforma habitação, saúde, emprego e democracia em fatores essenciais para manter o poder.

Construir uma cidade pode parecer simples quando tudo se resume a estradas, edifícios e serviços públicos. Microlandia, no entanto, pretende mostrar o que acontece quando as consequências sociais e económicas dessas decisões passam a fazer parte do próprio sistema de jogo.

Desenvolvido como um city builder com uma forte componente de simulação social e económica, Microlandia acompanha individualmente os habitantes da cidade. Cada cidadão trabalha, paga renda, pode ficar doente ou perder o emprego, enquanto as decisões tomadas pelo jogador têm consequências que podem levar a cidade, e o próprio governo, à falência.

O jogo nasceu de uma questão que o diretor Cristián começou a colocar quando era criança, enquanto jogava SimCity. Embora o jogo permitisse construir e gerir uma cidade, havia uma série de problemas que ficavam fora da simulação.

Em Microlandia, a intenção foi precisamente incluir esses elementos, recorrendo a dados de fontes como o World Bank, U.S. Bureau of Labor Statistics e OECD para construir uma simulação mais próxima da realidade.

Uma cidade onde cada decisão tem consequências

Habitação, mobilidade, impostos, serviços públicos e emprego fazem parte do equilíbrio que o jogador terá de manter.

A escassez de habitação pode fazer aumentar as rendas, enquanto os problemas de acesso à casa obrigam a lidar com a população sem-abrigo. As empresas podem trazer prosperidade económica, mas uma má gestão pode conduzir à insolvência e, consequentemente, ao aumento do desemprego.

Também a saúde tem impacto direto na cidade. A capacidade dos hospitais e a cobertura das ambulâncias influenciam a mortalidade, a migração e o estado de espírito da população.

Os transportes acrescentam outra camada de gestão: os autocarros podem gerar receitas, mas exigem planeamento, enquanto o estacionamento nas ruas e as garagens podem determinar se os cidadãos conseguem chegar aos seus locais de trabalho.

E nem tudo está sob controlo do jogador. Crises económicas, ondas de calor e ataques de ransomware podem surgir para testar a capacidade de resposta da cidade.

Democracia como condição para vencer

Uma das características mais particulares de Microlandia é o papel da democracia.

A cada cinco anos dentro do jogo realiza-se uma eleição que determina se o jogador continua no poder. Para vencer, não basta manter as contas equilibradas: é necessário conquistar a confiança dos cidadãos.

A aprovação é dividida em seis áreas — habitação, emprego, segurança, necessidades básicas, parques e saúde — e um painel de sondagens permite acompanhar em tempo real a satisfação da população em cada uma delas.

As decisões do jogador são ainda acompanhadas por um jornal local particularmente interessado em comentar e criticar aquilo que acontece na cidade. A imprensa pode elogiar as escolhas feitas ou transformar uma decisão polémica num problema político.

Desta forma, a democracia não funciona apenas como elemento narrativo, mas como uma das principais mecânicas de Microlandia: perder as eleições significa terminar a partida.

Uma cidade séria com uma apresentação descontraída

Apesar da profundidade da simulação, Microlandia procura equilibrar os temas mais sérios com uma apresentação repleta de humor e situações caricatas.

O contraste entre os visuais em voxel e problemas como crises económicas, falta de habitação ou serviços públicos sobrecarregados é uma das características que distingue o jogo dentro do género.

Microlandia está disponível desde 3 de dezembro de 2025 para Windows, Mac e Linux através do Steam, com um preço de 8,99 dólares/euros. O jogo também está disponível no Itch.io.

Microlandia na Gamescom 2026

Durante a Gamescom 2026, Microlandia integrou a seleção oficial do Indie Arena Booth, fazendo parte de Democracy at Play, uma mostra organizada pela Agência Federal Alemã para a Educação Cívica (bpb) em colaboração com o Indie Arena Booth.

A iniciativa procurou destacar jogos que abordam diferentes dimensões da democracia, e Microlandia encontrou aí um espaço particularmente adequado à sua proposta, onde governar uma cidade significa também responder diretamente às necessidades e expectativas dos seus habitantes.

A presença na Gamescom permitiu assim dar maior visibilidade a uma experiência que transforma problemas normalmente ausentes dos city builders tradicionais em parte central da sua jogabilidade.

Nicole Concha

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