Esta análise será breve, pois grande parte do jogo já foi avaliado pela Nicole Concha na PlayStation 5, onde podem ver cada parte do jogo de forma bem detalhada.
MARVEL Tōkon: Fighting Souls não saiu apenas na PlayStation 5, como também saiu para PC, através da Steam, e consigo trouxe coisas boas. E coisas muito más.
Comecemos pelas coisas boas. Tal como aconteceu com Dragon Ball FighterZ, muitos tipos de PC conseguirão correr MARVEL Tōkon: Fighting Souls. Se irá correr bem, isso já é uma conversa para mais à frente, mas conseguirão correr o jogo. Como no PC temos mais liberdade de controlos, podemos usar os mais variados tipos de acessórios, por isso o jogo pode ser jogado com teclado, comando, arcade stick, leverless ou até algum dispositivo mais virado para acessibilidade, é muito provável que já exista algum driver que vos deixe utilizar o dispositivo. O problema poderá ser jogar online, pois com o Easy Anti-Cheat, existe a possibilidade de detetar o dispositivo como uma forma de fraude, erroneamente. Em termos de gráficos, se na PS5 já eram muito bons, então no PC temos muitas mais possibilidades e opções, que nos ajudam a melhorar a nossa performance. Acho que poderiam ser dadas mais opções de pós-tratamento, para ajudar PC mais velhos a correrem ainda melhor o jogo, mas o que já existe já é muito bom.
Agora vamos às coisas más. E a lista, infelizmente, é grande. Graças ao anteriormente referenciado Easy Anti-Cheat (EAC), a jogabilidade é afetada, em vários cenários. Seja no jogo offline, em que existem picos de baixa performance só “porque sim”, como no jogo online, onde existe ainda mais dessincronização entre os jogadores. E isto é fácil de testar se jogarem com a versão não oficial e a versão oficial, onde existe uma diferença tremenda entre sem EAC e com EAC, respetivamente. Já há muitos anos que os jogadores se têm queixado das fracas camadas de DRM/AC e como afetam os jogos, e no final os consumidores, mas as marcas insistem em simplesmente meter uma pala por cima dos olhos e por cima dos jogos. E aqui, claramente, a culpada acaba por ser a Sony, não a ArcSys, por tentar controlar o conteúdo e deixá-lo propositadamente pior. E isso apenas é mais evidenciado quando vemos que mesmo após a beta, a Sony decidiu avançar com o EAC, bloqueando o acesso do jogo num ambiente Linux, o que também se traduz em jogadores de Steam Deck/Steam Machine/SteamOS completamente barrados de jogar, tendo mesmo a classificação de “não suportado”, coisa que não acontece em grande parte do catálogo do estúdio. Mesmo após esta desgraça toda, ainda temos que retirar o EAC do PC após desinstalar o jogo, o que torna a experiência ainda “mais agradável”, pois se não o fizermos, existe a possibilidade de termos problemas no futuro com outros jogos. Já foi lançado um patch após o lançamento inicial, mas ainda existem problemas de performance e Linux/Steam Deck/Steam Machine/SteamOS continuam sem qualquer tipo de suporte à altura da escrita desta análise, e muito provavelmente vão ficar assim.

Mas se as coisas já não eram boas, a Sony decidiu continuar a má experiência e obrigar a utilizar uma conta PSN para poder jogar o MARVEL Tōkon: Fighting Souls, o que dificulta o acesso do jogo a mais de 110 países. Qualquer jogo de luta, seja ele de pequeno ou grande nome, será sempre um jogo de nicho. E como tal, precisa do maior número de jogadores possível para poder sobreviver, pois só assim os jogos de luta conseguem perdurar durante anos. Devido a esta situação toda, é claro que as vendas e jogadores “que jogam” são impactados, e isso é possível de ver na página SteamCharts do MARVEL Tōkon: Fighting Souls, onde vemos claramente um declínio tremendo de jogadores online concorrentes, e vemos uma diferença muito grande quando comparamos com outros jogos de luta, como por exemplo Street Fighter 6, GUILTY GEAR -STRIVE- (mesmo estúdio), TEKKEN 8, ou até DRAGON BALL FighterZ (também do mesmo estúdio), que apesar de já ter 8 anos, consegue ter número relativamente parecidos com um jogo que saiu há pouco mais de um mês. Até jogadores mais conhecidos pelo seu conteúdo de jogos de luta, como é o caso de Maximilian Dood, acabaram por desistir de jogar, de tão frustrante ser jogar com todos estes problemas, ainda mais quando associados a combates online. E se procurarmos no subreddit do MARVEL Tōkon: Fighting Souls, o que mais existe ultimamente são threads a relatar dificuldades em encontrar combates com outros jogadores, num jogo que, reforçando novamente, saiu há pouco mais de um mês.
Tendo em conta o ano de 2026 e todas as manobras que a Sony tem feito, para retirar jogos do PC e para retirar os jogos físicos das prateleiras, consegue-se perceber que tudo isto serve para manter os jogadores mais afincados na plataforma da Sony. Sim, porque o objetivo final da Sony agora, é retirar o controlo aos jogadores e monetizar a sua presença na plataforma, já que vender mais consolas, mais especificamente no final de vida da PlayStation 5, fica cada vez mais difícil. E isto não é uma teoria, mas sim uma declaração por parte do próprio Presidente e CEO Hiroki Totoki da Sony Group Corporation, numa entrevista recente ao WSJ.
Assim sendo, é difícil recomendar a versão PC, pois está inundada de problemas e enxuta de jogadores, sendo muito difícil prolongar a sua vida útil após o conteúdo single-player, que apesar de até ser algo recheado, não deixa de eventualmente terminar e deixar o jogador a querer mais, principalmente quando temos um Passe de temporada e mais personagens previstas, que neste momento é muito difícil de justificar a sua aquisição. A versão PC perde muito, e é uma pena pois temos aqui um jogo espetacular, com um visual fantástico; uma jogabilidade algo simples, mas divertida; que poderia sobreviver durante anos à custa do seu nome, marca e estúdio, mas que agora tudo aponta para que não vá ter o sucesso merecido por causa das táticas da Sony.
█ F.S.
MARVEL Tōkon: Fighting Souls (PC)
História - 60%
Jogabilidade - 30%
Gráficos - 30%
Som / Banda Sonora - 85%
Longevidade - 25%
46%
Mau
Tendo experimentado ambas as versões, é difícil recomendar a versão PC, pois está inundada de problemas e enxuta de jogadores, sendo muito difícil prolongar a sua vida útil após o conteúdo single-player, que apesar de até ser algo recheado, não deixa de eventualmente terminar e deixar o jogador a querer mais, principalmente quando temos um Passe de temporada e mais personagens previstas, que neste momento é muito difícil de justificar a sua aquisição. A versão PC perde muito, e é uma pena pois temos aqui um jogo espetacular; com um visual fantástico; uma jogabilidade algo simples, mas divertida; e que poderia sobreviver durante anos à custa do seu nome, marca e estúdio, mas que agora tudo aponta para não vá ter o sucesso que merecia por causa das táticas da Sony
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