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Crazy Taxi: World Tour | Impressões do Closed Network Test

Crazy Taxi é uma daquelas séries onde basta ouvir a música certa e ver um táxi a atravessar uma cidade completamente sem respeito pelas regras de trânsito para perceber imediatamente aquilo que estamos a jogar. Depois de vários anos longe das consolas, a SEGA prepara agora o regresso da série com Crazy Taxi: World Tour e tivemos recentemente oportunidade de experimentar uma pequena parte do jogo através do Closed Network Test.

Este teste esteve completamente focado no multiplayer e permitiu experimentar dois modos, Pickup Race e Cops ‘N’ Cabbies, distribuídos por dois mapas, seis veículos e quatro personagens. Não tivemos acesso à componente single-player ou à história que estarão presentes no lançamento em 2027, portanto aquilo que joguei está longe de representar tudo o que Crazy Taxi: World Tour pretende oferecer. Ainda assim, foi mais do que suficiente para perceber algumas das ideias que a SEGA está a explorar para modernizar uma fórmula que, na sua base, continua bastante simples.

E se havia algum receio de que adicionar multiplayer retirasse completamente aquela sensação clássica de Crazy Taxi, pelo menos para mim este primeiro contacto conseguiu mostrar precisamente o contrário.

Crazy Taxi, agora contra toda a gente

O modo que mais se aproxima daquilo que esperamos tradicionalmente de Crazy Taxi é Pickup Race. Aqui, até seis jogadores percorrem a mesma cidade enquanto apanham passageiros e tentam levá-los aos respetivos destinos o mais rapidamente possível, competindo diretamente uns contra os outros.

Foi também provavelmente o modo onde me senti imediatamente mais confortável porque continua a ter aquela base extremamente familiar de Crazy Taxi. Apanhamos um passageiro, aceleramos o máximo possível, tentamos encontrar a rota mais rápida até ao destino e seguimos imediatamente para o próximo, só que agora temos outros taxistas a fazer exatamente a mesma coisa ao nosso lado.

E adorei.

A presença dos restantes jogadores transforma aquilo que normalmente seria uma corrida contra o relógio numa competição bastante mais caótica, principalmente quando vários táxis chegam praticamente ao mesmo tempo à mesma zona. Podemos bater nos adversários, tentar ganhar posição e utilizar o nitro tanto para conseguir alguns metros de vantagem como para criar ainda mais confusão no meio do trânsito.

Apesar de toda esta componente competitiva, nunca senti que o conceito deixasse de parecer Crazy Taxi. A gameplay continua extremamente arcade, rápida e simples de perceber, e foi precisamente este modo que mais facilmente me fez pensar que o multiplayer pode funcionar muito bem dentro da série.

Outras impressões do teste chegaram a uma conclusão semelhante, descrevendo Pickup Race como a experiência que mais preserva a fórmula tradicional da série, apenas com uma componente competitiva adicionada.

Polícias e ladrões à Crazy Taxi

Cops ‘N’ Cabbies é bastante diferente e foi provavelmente o modo que mais me surpreendeu.

A ideia é basicamente pegar num jogo de polícias e ladrões e colocá-lo dentro de Crazy Taxi. Durante o teste, quatro taxistas tinham de continuar a apanhar e entregar clientes enquanto dois polícias tentavam impedi-los, abalroando os seus veículos com nitro até conseguirem mandá-los para a prisão.

Enquanto taxista, podemos ainda apanhar vários clientes ao mesmo tempo, algo de que gostei particularmente porque acrescenta uma pequena decisão de risco e recompensa. Quanto mais passageiros levamos connosco, mais podemos contribuir rapidamente para o objetivo da equipa, mas também passamos a ter muito mais a perder se um polícia conseguir finalmente apanhar-nos.

Foi também deste lado que me dei claramente melhor.

Como taxista, senti que tinha muito mais liberdade para fugir, escolher os meus próprios caminhos e tentar perceber quando devia concentrar-me nos clientes ou ajudar um colega. Quando somos presos, não ficamos simplesmente de fora até ao fim da partida, porque os restantes membros da equipa podem dirigir-se à prisão e libertar-nos, criando situações onde aquilo que parecia uma captura garantida pode rapidamente voltar a transformar-se numa perseguição completamente caótica.

Achei esta mecânica especialmente divertida porque dá muito mais importância à equipa. Não estamos simplesmente todos a cumprir o mesmo objetivo de forma independente, temos momentos onde realmente precisamos de decidir se continuamos a transportar passageiros ou desviamos a rota para ir buscar alguém que ficou preso.

Ser polícia foi outra história

O problema apareceu quando troquei de lado.

Jogar como polícia foi bastante mais difícil e senti muitas vezes que estava constantemente a tentar apagar fogos em várias zonas do mapa. Para conseguirmos prender um taxista não basta simplesmente tocar-lhe, precisamos de utilizar o nitro para causar dano até conseguirmos finalmente neutralizá-lo, enquanto os restantes continuam naturalmente a apanhar passageiros ou tentam libertar quem já conseguimos capturar.

Esta diferença tornou-se ainda mais evidente porque estamos a falar de dois polícias contra quatro taxistas. Mesmo quando conseguia capturar alguém, era difícil impedir outro jogador de aparecer pouco depois para o libertar, e senti várias vezes que o lado da polícia precisava de trabalhar muito mais para conseguir o mesmo impacto na partida.

Curiosamente, não fui a única a sentir isso. Algumas das impressões publicadas depois do Closed Network Test destacaram precisamente a dificuldade acrescida de jogar como polícia, considerando que a vantagem numérica dos Cabbies e a possibilidade de libertar rapidamente os colegas tornavam bastante complicado manter todos os adversários presos ao mesmo tempo.

Isto não significa que não tenha gostado do modo, muito pelo contrário. Cops ‘N’ Cabbies foi provavelmente a ideia mais interessante que experimentei durante o teste e quero mesmo voltar a jogá-lo, mas o equilíbrio entre os dois lados parece ser uma das áreas que a SEGA ainda pode ajustar antes do lançamento.

Há mais estratégia do que parece

Uma das coisas interessantes deste modo é que a escolha do veículo também começa a ter alguma importância. Os carros disponíveis apresentam características diferentes e, em Cops ‘N’ Cabbies, até o número de passageiros que conseguimos transportar pode variar dependendo daquilo que escolhemos.

Isto significa que podemos optar por um veículo com maior capacidade para transportar mais clientes de cada vez ou escolher outra abordagem que favoreça velocidade, potência ou controlo. O próprio Closed Network Test permitia ainda experimentar algumas opções de personalização dos veículos, embora esta fosse claramente uma área limitada dentro da build disponibilizada.

São pequenos elementos, mas ajudam a tornar a experiência multiplayer um pouco mais interessante do que simplesmente colocar vários jogadores na mesma cidade e dizer-lhes para acelerarem.

Ainda sabe a Crazy Taxi

Uma das minhas maiores dúvidas antes de jogar estava precisamente na sensação de condução e na forma como toda esta componente multiplayer iria encaixar numa série que nasceu com uma estrutura essencialmente arcade.

Felizmente, aquilo que experimentei continua a ter bastante daquela energia característica de Crazy Taxi. A condução é imediatamente acessível, os drifts continuam a ter uma grande importância e a utilização do nitro acrescenta uma nova ferramenta sem tornar os controlos demasiado complicados.

Também continua a existir aquela sensação constante de que chegar ao destino da forma mais irresponsável possível é normalmente a decisão certa, seja a saltar, a cortar caminho ou simplesmente a atravessar o trânsito como se as restantes regras da estrada fossem apenas sugestões.

O Closed Network Test recuperou ainda músicas clássicas de bandas como The Offspring e Bad Religion, uma parte da identidade de Crazy Taxi que regressa em World Tour e que ajuda imenso a recuperar aquela energia arcade da série.

Ainda vimos muito pouco

Apesar de ter saído bastante satisfeita deste primeiro contacto, também acho importante não tirar demasiadas conclusões sobre o jogo completo.

O teste estava focado exclusivamente no multiplayer e ofereceu apenas dois mapas e dois modos. Algumas das pessoas que participaram referiram precisamente que a pouca variedade de percursos começou a tornar-se evidente depois de várias partidas, algo que é perfeitamente compreensível tendo em conta a dimensão limitada desta build.

Também ainda falta perceber como World Tour vai trabalhar a componente single-player, as restantes cidades, missões e tudo aquilo que deverá formar a estrutura principal da experiência. A SEGA já confirmou que o teste não incluía o modo de história nem o single-player, portanto seria injusto avaliar Crazy Taxi: World Tour como um todo com base apenas nestas partidas.

Aquilo que posso avaliar é aquilo que joguei e, nesse sentido, fiquei bastante curiosa para ver mais.

Em suma

O Closed Network Test de Crazy Taxi: World Tour deixou-me uma primeira impressão bastante positiva, principalmente porque os dois modos disponíveis conseguem explorar o multiplayer de formas muito diferentes sem abandonar completamente aquilo que esperamos da série.

Pickup Race foi facilmente o modo onde me senti mais em casa. Continua a ter a estrutura clássica de apanhar clientes e levá-los ao destino o mais rapidamente possível, mas a presença de outros jogadores transforma cada percurso numa corrida muito mais caótica e competitiva. Foi simples entrar, perceber imediatamente o objetivo e começar a divertir-me, algo que considero essencial num jogo com uma identidade tão arcade.

Cops ‘N’ Cabbies acabou por ser a maior surpresa. Adorei poder acumular clientes, fugir da polícia e principalmente a mecânica da prisão, que obriga a equipa a prestar atenção ao que está a acontecer para conseguir libertar os colegas quando são capturados. Foi também um modo onde me dei bastante melhor como Cabbie, porque jogar como polícia pareceu-me consideravelmente mais difícil e senti alguma diferença no equilíbrio entre os dois lados.

Ainda há naturalmente muito que não vimos e algumas coisas que podem mudar até ao lançamento. Este foi, acima de tudo, um teste à componente online e não uma representação completa de Crazy Taxi: World Tour.

Ainda assim, se o objetivo era deixar-me com vontade de voltar a pegar no táxi e conduzir de forma completamente irresponsável quando o jogo chegar em 2027, então nesse aspeto funcionou bastante bem.

Nicole Concha

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