Quando pensamos em Minecraft, é provavelmente inevitável associarmos imediatamente o nome a um jogo direcionado para um público mais jovem, sobretudo quando temos pela frente o aspeto colorido, os blocos e todas as criaturas que tão bem conhecemos deste universo. Minecraft Dungeons II pode facilmente passar essa mesma impressão num primeiro contacto, mas bastaram-me algumas horas para perceber que não devemos confundir acessibilidade com facilidade. A nova aventura da Mojang Studios e Double Eleven continua a ser uma porta de entrada bastante acessível para o género dos action RPG e dungeon crawlers, mas está longe de ter medo de colocar o jogador em situações bastante complicadas.
Seis anos depois do primeiro Minecraft Dungeons, esta sequela recupera grande parte da mesma fórmula, colocando novamente o combate e, sobretudo, o loot no centro da experiência. Desta vez, porém, temos um mundo bastante maior para explorar, uma nova dimensão, mais possibilidades de personalização e algumas alterações que tentam tornar a progressão mais interessante. O resultado é uma aventura divertida e surpreendentemente desafiante em determinados momentos, ainda que nem todas estas novidades consigam evitar uma sensação de repetição à medida que as horas vão passando.

Uma nova aventura entre dois mundos
Minecraft Dungeons II leva-nos novamente até ao universo de Minecraft depois dos acontecimentos do primeiro jogo, mas a tranquilidade não dura propriamente muito tempo. O Overworld começa a sofrer com acontecimentos estranhos, surgem novos inimigos e rapidamente percebemos que existe uma nova ameaça ligada ao Sift, uma dimensão completamente nova que acaba por assumir um papel importante ao longo desta aventura.
Não vou entrar demasiado na história porque não acho que seja propriamente aqui que Minecraft Dungeons II tem os seus maiores argumentos. A narrativa cumpre o seu objetivo de nos fazer avançar entre as diferentes áreas e explicar minimamente aquilo que está a acontecer à nossa volta, mas é bastante simples e, sobretudo, curta. Não esperem por isso uma história particularmente desenvolvida ou personagens memoráveis, porque o verdadeiro objetivo é dar-nos uma desculpa para continuar a explorar, eliminar inimigos e procurar equipamento cada vez melhor.
Existem também várias side quests espalhadas pelo mapa, normalmente entregues por personagens que encontramos durante a exploração. Confesso, no entanto, que acabei por ignorar grande parte delas. Muitas resumem-se a tarefas bastante genéricas e, depois de experimentar algumas, não senti propriamente vontade de me desviar constantemente da campanha principal para as completar. É uma pena porque, num mundo maior e que nos dá aparentemente mais liberdade, estas missões poderiam ter sido uma ótima forma de incentivar a exploração e contar pequenas histórias dentro deste universo.

Um mundo maior, mas nem sempre tão aberto quanto parece
Uma das principais diferenças relativamente ao primeiro Minecraft Dungeons está precisamente na forma como exploramos o mundo. Em vez de termos simplesmente uma seleção de níveis independentes, encontramos agora várias áreas interligadas por onde podemos viajar, descobrir novas localizações e entrar nas diferentes dungeons.
Em teoria, isto cria uma sensação bastante maior de liberdade e aproxima Minecraft Dungeons II de uma estrutura de mundo aberto. Na prática, eu não diria propriamente que estamos perante um verdadeiro open world. As áreas são maiores e temos diferentes caminhos que podemos seguir, mas a exploração continua muitas vezes limitada a percursos relativamente lineares. Podemos encontrar alguns desvios, procurar baús ou afastarmo-nos ligeiramente do caminho principal, mas raramente senti aquela curiosidade de olhar para um ponto distante e pensar que poderia simplesmente ir até lá.
Ainda assim, existem bastantes ambientes diferentes e o jogo utiliza muito bem a identidade visual de Minecraft para criar zonas extremamente coloridas e facilmente reconhecíveis, enquanto outras conseguem apresentar ambientes mais escuros e misteriosos. O Sift destaca-se naturalmente entre estas localizações e ajuda a trazer alguma variedade visual a uma aventura que, de outra forma, poderia tornar-se rapidamente demasiado familiar.
A possibilidade de saltar também parece uma pequena alteração quando pensamos nela isoladamente, mas acaba por permitir que os níveis tenham mais verticalidade e incluir pequenos momentos de plataformas e exploração que simplesmente não existiam da mesma forma no primeiro jogo. Não transforma propriamente Minecraft Dungeons II num platformer, claro, mas ajuda a tornar os cenários um pouco mais interessantes.

Não se deixem enganar pelo aspeto
Foi provavelmente aqui que Minecraft Dungeons II mais me surpreendeu. O jogo pode ter todo o aspeto de uma aventura extremamente acessível e até um pouco infantilizada, mas existem momentos em que consegue ser genuinamente desafiante.
E esta dificuldade não surge apenas porque os inimigos começam simplesmente a ter mais vida ou causar mais dano. À medida que avançamos encontramos grupos cada vez maiores, diferentes tipos de adversários em simultâneo e inimigos com habilidades e ataques bastante variados. Há momentos em que temos dezenas de coisas a acontecer ao mesmo tempo no ecrã, ataques a chegar de várias direções e pouco espaço para parar e pensar no que fazer a seguir.
Foi precisamente nessas situações que algumas batalhas me conseguiram colocar realmente em dificuldades. É relativamente fácil começar um combate confiante, eliminar os primeiros inimigos sem grande problema e, segundos depois, perceber que estamos completamente rodeados porque apareceu uma nova vaga com adversários bastante mais perigosos.
As boss fights levam esta ideia ainda mais longe. Algumas são relativamente simples, mas outras foram, para mim, genuinamente difíceis e obrigaram-me a perceber os diferentes ataques, saber quando podia aproximar-me, quando devia recuar e, acima de tudo, aproveitar corretamente as capacidades que tinha disponíveis naquele momento. Houve bosses onde morrer simplesmente significou voltar com outra estratégia e tentar perceber melhor aquilo que estava a fazer de errado.
Minecraft Dungeons II continua, por isso, a ser bastante fácil de compreender. Não precisamos de passar horas a estudar árvores gigantes de habilidades ou dezenas de menus antes de conseguirmos jogar, mas isso não significa que podemos simplesmente desligar o cérebro durante todos os combates.

Loot, loot e mais loot
Se há uma palavra que resume grande parte da experiência de Minecraft Dungeons II é loot. Estamos constantemente à procura de novas armas, peças de armadura e equipamento que permitam aumentar o poder da nossa personagem e, inevitavelmente, uma parte considerável da diversão está naquele momento em que encontramos alguma coisa nova e queremos imediatamente perceber se é melhor do que aquilo que já temos equipado.
A armadura está agora dividida em várias peças e temos diferentes possibilidades para construir a personagem à nossa maneira, utilizando armas corpo a corpo, opções à distância, artefactos, encantamentos e talismãs. Não existem propriamente classes fixas, por isso aquilo que fazemos em combate acaba por depender bastante do equipamento que escolhemos utilizar.
Gostei especialmente desta liberdade porque podemos trocar praticamente tudo e experimentar diferentes combinações sem sentirmos que estamos presos à decisão que fizemos no início do jogo. Encontrei várias vezes uma arma que me levou a alterar ligeiramente a forma como estava a abordar os combates simplesmente porque queria perceber se funcionava melhor do que aquilo que estava a utilizar.
Os talismãs foram uma das novidades que menos me convenceram. Apesar de funcionarem como melhorias passivas e existirem precisamente para acrescentar mais uma camada às builds, durante a minha experiência nunca senti que estivessem a ter uma influência particularmente relevante na forma como jogava. Estavam lá, davam-me determinados benefícios, mas raramente encontrei um que me fizesse pensar seriamente em alterar uma estratégia ou construir a personagem à sua volta.
Isto não significa que o sistema de equipamento seja pouco importante, muito pelo contrário. Encontrar loot melhor faz uma diferença enorme, sobretudo quando começamos a entrar em zonas mais difíceis, mas senti bastante mais impacto na escolha das armas, armaduras, encantamentos e artefactos do que propriamente nos talismãs.

Jogar sozinho tem um preço
Toda a minha experiência com Minecraft Dungeons II foi realizada a solo e, apesar de ser perfeitamente possível completar a aventura desta forma, tornou-se bastante evidente que estamos perante um jogo pensado com o multiplayer em mente.
Existem dungeons onde encontramos, por exemplo, puzzles preparados para quatro jogadores. Se estivermos acompanhados, podemos completar estes desafios e chegar ao loot associado. Se estivermos sozinhos, simplesmente não conseguimos fazê-lo e temos de continuar caminho sabendo que ficou alguma coisa para trás.
Não considero que isto torne a experiência a solo necessariamente má, porque diverti-me bastante durante toda a campanha e nunca senti que precisasse obrigatoriamente de outras pessoas para conseguir avançar. No entanto, não gostei particularmente de encontrar conteúdo e recompensas que estavam fisicamente à minha frente mas que não podia alcançar simplesmente porque estava a jogar sozinha.
Ao mesmo tempo, consigo perceber perfeitamente como é que Minecraft Dungeons II poderá tornar-se ainda mais interessante com um grupo de amigos. A própria quantidade de inimigos, as diferentes habilidades e a possibilidade de construir personagens com funções diferentes parecem encaixar naturalmente numa experiência cooperativa. No meu caso, porém, esta análise representa exclusivamente aquilo que encontrei enquanto jogadora a solo.

Divertido, mas nem sempre consegue escapar à repetição
É provavelmente aqui que encontramos o maior problema de Minecraft Dungeons II. O loop de gameplay funciona muito bem durante bastante tempo. Entramos numa nova área, lutamos contra dezenas de inimigos, encontramos equipamento, aumentamos o nosso poder, experimentamos uma arma nova, enfrentamos um boss e seguimos para o próximo destino.
O problema é que esta estrutura começa inevitavelmente a repetir-se.
Mesmo com diferentes inimigos, ambientes e equipamento para descobrir, as missões começam a parecer variações da mesma ideia e existe um ponto em que já sabemos exatamente o que nos espera quando entramos numa nova zona. Avançamos, eliminamos grupos de inimigos, exploramos alguns pequenos desvios, encontramos loot e eventualmente chegamos a um confronto maior.
Ainda assim, há algo bastante satisfatório nesta simplicidade. Mesmo quando comecei a sentir a repetição, nunca achei que Minecraft Dungeons II tivesse deixado completamente de ser divertido. O combate é rápido, existe sempre aquela vontade de encontrar uma arma ligeiramente melhor e algumas boss fights aparecem precisamente no momento certo para nos obrigar a abandonar o piloto automático.
É um daqueles jogos em que conseguimos facilmente dizer que estamos apenas a fazer “mais uma dungeon” e acabar por continuar durante bastante mais tempo, mesmo sabendo que provavelmente vamos repetir grande parte daquilo que fizemos nos últimos trinta minutos.

E no PC?
Joguei Minecraft Dungeons II no PC utilizando rato e teclado e, sinceramente, gostei bastante dos controlos. Tudo responde muito bem e rapidamente me habituei à posição das diferentes habilidades e ataques, mesmo nos momentos em que o ecrã estava completamente cheio de inimigos.
O movimento point and click também funciona perfeitamente dentro da estrutura típica de um action RPG deste género, mas gostava que existisse uma alternativa para controlar diretamente a personagem através do teclado. Não é propriamente um problema com o esquema atual e nunca senti que estivesse a lutar contra os controlos, mas gosto de ter essa liberdade no PC e teria apreciado poder escolher entre as duas opções.
De resto, a combinação de rato e teclado revelou-se extremamente confortável e, mesmo durante os confrontos mais caóticos, nunca senti necessidade de trocar para comando. Para quem normalmente associa este género quase automaticamente ao point and click, Minecraft Dungeons II funciona precisamente como seria de esperar.

Minecraft Dungeons II consegue evoluir sem abandonar a sua simplicidade
Minecraft Dungeons II não tenta transformar aquilo que conhecíamos numa experiência completamente diferente. Em vez disso, pega na base do primeiro jogo e aumenta praticamente tudo à sua volta. Temos um mundo maior, mais equipamento, mais possibilidades de personalização, novos inimigos, uma nova dimensão e uma estrutura que nos dá bastante mais espaço para explorar.
Nem todas estas ideias funcionam da mesma forma. As side quests rapidamente perderam o meu interesse, o mundo parece muito mais linear do que a sua dimensão inicialmente pode fazer acreditar e os talismãs tiveram muito pouco impacto na minha forma de jogar. A aventura principal também é relativamente curta e a repetição começa a fazer-se sentir quando percebemos que muitas das missões seguem essencialmente a mesma estrutura. Mesmo assim, diverti-me.
E acho que essa acaba por ser uma das maiores forças de Minecraft Dungeons II. É extremamente simples perceber aquilo que temos de fazer, encontrar equipamento novo continua a ser satisfatório e o combate consegue surpreender com um nível de dificuldade bastante superior àquele que o aspeto do jogo inicialmente poderá sugerir. Algumas boss fights foram verdadeiramente desafiantes e houve vários momentos em que percebi rapidamente que não podia simplesmente avançar sem pensar naquilo que tinha equipado ou nos inimigos que estavam à minha frente.
Para quem procura um action RPG extremamente complexo, onde cada ponto numa build precisa de ser pensado ao detalhe, Minecraft Dungeons II provavelmente continuará a parecer demasiado simples. Para quem quer entrar numa dungeon, destruir dezenas de inimigos, procurar aquele equipamento que finalmente vai aumentar o poder da personagem e continuar a melhorar ao longo da aventura, existe aqui uma experiência bastante divertida.
Não reinventa propriamente aquilo que Minecraft Dungeons já fazia, mas consegue tornar a fórmula maior e, em alguns aspetos, melhor. Só gostava que esse crescimento tivesse vindo acompanhado de um pouco mais de variedade nas missões e razões mais fortes para explorar tudo aquilo que encontramos pelo caminho.
Minecraft Dungeons II
História - 75%
Jogabilidade - 75%
Gráficos - 75%
Longevidade - 75%
75%
Muito Bom
Minecraft Dungeons II consegue evoluir a fórmula do primeiro jogo com mais exploração, equipamento e combates surpreendentemente desafiantes. O foco no loot continua a ser viciante e algumas boss fights obrigam-nos mesmo a pensar na nossa abordagem, mas a estrutura das missões acaba por se tornar repetitiva, as side quests pouco acrescentam e o mundo nem sempre é tão aberto quanto parece. Ainda assim, é uma aventura divertida e acessível que sabe complicar as coisas quando menos esperamos.
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