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Análise – Haven

Dos produtores de Furi, chega-nos uma nova aventura, Haven. Ao contrário do primeiro título frenético, o estúdio The Game Bakers decidiu acalmar as coisas e criar um jogo RPG com uma grande ênfase na história das nossas duas personagens principais, Yu e Kay, e como o seu passado os influencia tanto a nível de casal como a nível pessoal.

Se Furi tinha toda a sua ênfase na jogabilidade altamente rápida, fluída e implacável, Haven recua um pouco e relaxa na sua forma de explorar os vários níveis deste mundo que temos à nossa frente. As nossas acções durante a fase de exploração são muito limitadas, maioritariamente acções contextuais ou de apenas navegação, como andar ou planar sobre uma espécie de teia electrónica, que reage com as nossas botas especiais que nos podem levar a sítios que normalmente não teríamos acesso. O mapa é maioritariamente composto por pequenos pedaços do planeta Source, quase como se fossem ilhas espalhadas pelo espaço, mas que infelizmente são maioritariamente parecidas umas com as outras, tornando a navegação um pouco confusa e por vezes labiríntica. Com o tempo e com certas acções que vão desbloqueando pontos de interesse aqui e ali, sempre vamos vendo mais alguma variedade na geografia. Mas Haven não é só sobre exploração, também é um RPG, ou seja temos as batalhas com pequenos monstros pelo mapa, mas ao contrário de muitos jogos deste género, não temos batalhas aleatórias, mas sim um monstro que representa a equipa de monstros que teremos que defrontar.

Temos o típico ataque corpo-a-corpo, ataque especial, bloqueio e pacificar, que tendo em conta as nossas personagens e as suas filosofias, acabamos por não matar realmente os monstros, mas apenas acalmá-los e torná-los nossos aliados, sendo que a maioria deixa até fazer festas, tudo isto sem barras de pontos de magia ou espirituais. No entanto, tal como aconteceu com a geografia, o bestiário é um pouco limitado. Não se torna repetitivo da mesma forma que os diversos pedaços de terra, mas ainda assim podemos ter várias batalhas no mesmo sítio sempre com a mesma espécie, o que torna a jogabilidade um pouco aborrecida. Depois do meio termo do jogo, começa a ficar mais entusiasmante lutar contra inimigos mais fortes. É um risco, pois muitos jogadores podem já ter abandonado o jogo ainda antes de chegar a esta parte. De realçar, no entanto, que o jogo avisa logo no inicio que não é um jogo difícil, mas que oferece uma dificuldade mais baixa, caso assim desejarem. No final, a jogabilidade é variada o suficiente para tornar o jogo interessante, tendo em conta a filosofia relaxante que envolve este título. Temos também várias mecânicas de confecção, seja cozinhar refeições simples ou que ajudem a aumentar a nossa vitalidade, receitas médicas que ajudam uma pequena ferida até medicamentos altamente viciantes, como também pequenos objectos que nos ajudem durante as nossas lutas, temos várias formas de superar os nossos inimigos ou simplesmente encher o bucho.

Os gráficos do jogo, tal como o título anterior da equipa, tem uma apresentação baseada no cel-shading, sendo que toda a direcção de arte é altamente coesa. Desde as personagens principais, passando pelos inimigos e animais do mundo que exploramos, como também o próprio “planeta”, com as suas pequenas aldeias com características outrora civilizadas, mas de momento abandonadas e deixadas ao desprezo. Sendo que toda a sua presentação está sobre o conceito de animação, desde as conversas entre personagens e pequenas cutscenes, toda ela foi feita com carinho pelo jogo, pois temos alguns sítios realmente bonitos, ainda que esporádicos. Os menus são simples, mas eficazes e pouco confusos, pelos menos o que não envolve objectos, o que também facilita a navegação entre menus.

Tecnicamente, o jogo faz parte dum mundo aberto, pois podemos explorar todos os cantos do “planeta”, a não ser que tenhamos algum entrave, como as nossas botas não conseguirem ainda planar longas distâncias ou planaltos fora do alcance. Temos um mapa com menu próprio, mas que podemos consultar e primeiro plano durante o jogo, apesar de ser muito abstracto e apenas representar um pedaço do planeta em si e não estar a geografia local completamente a descoberto, o que no inicio poderá ser bastante difícil de perceber, mas com alguma experimentação e descoberta de como o jogo funciona, torna-se muito mais fácil saber para que sítio devemos ir, ainda que seja um pouco difícil de perceber sem o mapa para onde devemos realmente ir, pois como foi referido anteriormente, por vezes o mapa consegue ser muito igual e não ajuda na navegação.

A banda sonora do jogo é totalmente composta pelo artista Danger, artista este que também participou na banda sonora de Furi, mas desta vez com um toque mais suave e mais “housy” na sua composição, que torna a banda sonora diferente do que estamos habituados com este mesmo produtor, tornando a experiência uma mistura entre synthwave, electro e house, tudo misturado num cocktail sonoro, que é altamente aprazível e ouve-se muito bem durante o jogo, ainda que algumas músicas se tornem repetitivas pelas vezes que são usadas ao longo do jogo. Em termos de sound design, o jogo também tem várias formas de apresentar todos os tipos de som ao nosso redor, mas por experiência própria, quando temos que interagir com alguns elementos do planeta, por vezes os sons de interacção podem não funcionar a 100%. Nada de grave, nem prejudica a jogabilidade em si, mas quando temos vários frutos para apanhar, o som de confirmação de que foram retirados da árvore e colocados no inventário faz falta. Nada que prejudique o jogo, mas continua a ser uma nota.

A história é simplesmente o ponto fulcral deste jogo: mostrar como uma relação dum casal se comporta com os acontecimentos que o rodeiam, mesmo que se passe num universo longínquo e completamente alienígena. Referindo a história muito superficialmente e sem dar demasiados detalhes, a história tem o conceito de “o que realmente importa não é o ponto de partida nem o destino, mas sim a viagem”, e como tal, toda a parte integral da história do jogo é contada em tempo real, ao longo da nossa exploração, com os detalhes de como as nossas personagens chegaram a este planeta e o porquê. Este tipo de narrativa não é o meu favorito, de todo, pois aprecio narrativas mais intrincadas e envoltas de conspiração ou tramas, sem ser melodramática. Acho que ainda assim, a história é competente, ainda que não a aprecie totalmente.

Haven é uma nova receita do estúdio The Game Bakers que contém um pouco de tudo, tendo ingredientes para vários tipos de jogador. Pessoalmente, não apreciei muito o tipo de narrativa, mas isso não quer dizer que seja má, apenas não é o tipo que goste de explorar. Contudo, joguei durante 16 horas e durante toda a experiência tive divertimento suficiente para considerar um bom jogo. A maior critica ao jogo seria adicionar mais variedade de lugares e geografias únicas, de forma a ser mais fácil atravessar todo este planeta desconhecido, sem que nos tornemos totalmente dependentes do mapa e acabarmos por não apreciar algumas paisagens muito bonitas que o jogo tem. Mas se procuram um jogo que explore a evolução dum casal e relação associada, este jogo tem todo o tipo de momentos, desde os mais fofos e carinhosos até aos mais críticos e reflexivos.

█ F.S.

Análise – Haven

HAVEN está disponível para a PlayStation®5, Xbox One e Xbox Series S|X, e no PC via GOG.com e STEAM®, e estará disponível para  Nintendo Switch e PlayStation®4 em 2021. Para mais informações, visita o website oficial.

Dos produtores de Furi, chega-nos uma nova aventura, Haven. Ao contrário do primeiro título frenético, o estúdio The Game Bakers decidiu acalmar as coisas e criar um jogo RPG com uma grande ênfase na história das nossas duas personagens principais, Yu e Kay, e como o seu passado os influencia…

Haven (PlayStation 5)

Jogabilidade - 80%
Gráficos - 85%
Som / Banda Sonora - 87%
Longevidade - 75%

82%

Bom

Haven é uma nova receita do estúdio The Game Bakers que contém um pouco de tudo. Pessoalmente, não apreciei muito o tipo de narrativa. Contudo, joguei durante 16 horas e durante toda a experiência tive divertimento suficiente para considerar um bom jogo. A maior critica ao jogo seria adicionar mais variedade de lugares e geografias únicas, de forma a ser mais fácil atravessar todo este planeta desconhecido, sem que nos tornemos totalmente dependentes do mapa e acabarmos por não apreciar algumas paisagens muito bonitas que o jogo tem. Mas se procuram um jogo que explore a evolução dum casal e relação associada, este jogo tem todo o tipo de momentos, desde os mais fofos e carinhosos até aos mais críticos e reflexivos.

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Filipe Silva
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