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Análise – FURI

FURI é a combinação dos estilos hack ‘n slash, bullet hell e twin stick shooter. É visualmente interessante e dois anos depois do seu lançamento inicial, eis que o jogo chega à Nintendo Switch. Esta versão tem todos os DLC’s lançados anteriormente, e o facto de ser portátil, poderá ser um ponto a favor da aquisição.

Se, tal como eu, acharam o visual interessante e até um pouco familiar, é porque o artista por detrás das personagens foram desenhados pelo mesmo artista que criou o visual de Afro Samurai, Takashi Okazaki. E a comparação é óbvia para quem viu a série: o protagonista com um alter ego, o cabelo grande branco, a máscara do coelho, o tema de samurais, etc. Acompanhados de um cel-shaded, os visuais quase que parecem de um jogo realizado por Suda51, mas falta aquele “pontapé” que o mesmo costuma ter nos seus jogos. Ainda assim, o visual é único o suficiente para chamar a atenção. Cheio de cores intensas e néon, sem parecer um arco-íris aleatório e sem sentido. O jogo parece minimamente optimizado apesar de já ter visto alguns problemas que outras pessoas presenciaram. Da minha parte, não presenciei nada que quebrasse a jogabilidade fluída nem as cutscenes. Ainda assim, fica o aviso de que futuramente poderemos ter algum patch que resolva todos os problemas.

A banda sonora que acompanha o jogo também é um ponto a favor: Carpenter Brut, The Toxic Avenger e Waveshaper, fazem parte da lista de artistas que compuseram a banda sonora original do jogo. Nas secções de “descanso” temos melodias mais calmas, mas ainda assim sinistras, e quando encontramos os nossos adversários o ritmo muda e acelera de forma inquietante. Existe um cuidado com a banda sonora, que complementa o ambiente futurista do jogo, sem que pareça forçado.

Em termos de jogabilidade, é um hack ‘n slash básico: temos um botão de parry, um botão de dash (ou dodge), um botão de disparo, um botão de super disparo e um botão de ataque. No botão de ataque temos uma combinação simples de 4 técnicas, que ao contrário de DMC ou Bayonetta, não se altera durante o jogo, o que faz com que o nosso arsenal de técnicas seja muito limitado relativamente às series mencionadas anteriormente, sendo que não existe combinações livres nem diferentes armas. O parry também funciona de maneira diferente dos outros jogos, sendo relativamente fácil de prever o ataque. O problema do parry, será da Nintendo Switch, pois eu já tinha este problema no Breath Of The Wild, e permanece aqui: o tempo de resposta do botão não será o melhor pois nem sempre sai quando quero, o que nunca aconteceu noutros jogos do género nas outras consolas e/ou PC. Achava que era problema meu, mas depois experimentava um título noutra consola, e executava-o bem. Como tal, para aproveitar este jogo ao máximo, recomendo a utilizarem um comando PRO pois penso que os Joy-Cons poderão não ser o melhor para este tipo de jogo (ou então tenho um problema grave com os meus). O botão de dash serve para desviar dos disparos e das técnicas de combate próximo, também podendo ser carregado, atravessando distâncias maiores e desviando de ataques com uma área maior. Funciona bem, mas nem sempre os ataques podem ser desviados, por isso existe o parry.

Os botões de disparo e super disparo estão separados. Os disparos normais funcionam como um twin stick shooter, ou seja, os disparos permanecem activos, e constantes, enquanto quisermos sendo mais fácil do que carregar continuamente no botão para disparar. Já o super disparo, é um disparo mais forte que necessita de mais tempo e precisão para acertar. Depois desta pequena explicação, existem combinações entre os vários tipos de acções do jogador, como disparar e fazer parry ao mesmo, disparar e carregar o dash, desviar e carregar o ataque, etc., etc., mas que o jogo não vos mostra. Terão que experimentar várias vezes para realmente se aperceberem dos “truques” do jogo. E esta introdução toda é necessária pois este jogo caracteriza-se por apenas lutarmos contra os bosses, é esta a sua jogabilidade. Portanto, quanto mais cedo se mentalizarem das técnicas presentes, mais depressa se divertirão com este jogo. O jogo tem também uma mecânica bem diferente do género: não existem power-ups nem pacotes de saúde que possam apanhar. O que acontece, é que consoante a nossa proficiência durante o combate vamos recebendo pequenos pedaços de saúde, ao realizarmos parries e ataques de progressão da batalha. Não torna o jogo propriamente difícil, mas também não nos “faz a papa toda”, ou seja, existe um bom balanço na dificuldade do jogo.

E já que o tema são bosses, a história é possivelmente o ponto mais fraco do jogo. Acordamos para o mundo, dentro duma prisão, e somos logo confrontados com um boss, que serve de tutorial. Depois deste primeiro boss, andamos durante algum tempo e enfrentamos outro boss. E isto repete-se durante todo o jogo. O tempo que leva entre o boss A e o boss B, serve para exposição da suposta história aqui existente, sendo que me relembrou MGS4 e o Drebin, que contava as histórias, horrores e traumas de cada boss, após a sua derrota. Aqui, a premissa é exactamente a mesma. Ouvimos a sua história inicial, lutamos contra os bosses, eles por vezes contam parte das suas motivações, temos uma história final e resoluta da personagem, próximo boss. No entanto, todos os bosses são originais e bastante variados, sendo que serão realmente a parte mais interessante de todo o jogo e que acaba por salvar o que poderia ser um título bastante medíocre.

Cada inimigo tem várias secções, em que cada uma aumenta gradualmente a dificuldade, mas tal como foi referido anteriormente, não temos qualquer tipo de upgrades. Portanto, compete-nos evoluir e tentar perceber os vários padrões de cada personagem. Mas voltando à história, existe alguns conceitos interessantes neste jogo que infelizmente parecem ter sido “colados à pressa”, sem haver uma consistência definida entre todos os elementos do universo que compõem Furi. E as secções entre cada boss não são as melhores, pois não existe realmente uma exploração dos cenários, nem algo minimamente interessante, nem podemos aumentar a velocidade com que andamos pelos níveis. E também não podemos passar estas secções à frente, o que torna uma segunda volta muito pouco provável, sendo que este tipo de jogo apela várias voltas pelo jogo inteiro, para descobrir todos os segredos e truques que o jogo tenha para oferecer. Os jogadores que gostem deste tipo de jogo poderão voltar à história uma segunda ou até terceira vez, mas os jogadores mais casuais poderão não ter tanta paciência para voltar a passar pelas partes pouco interessantes.

Existe aqui um jogo com uma fundação minimamente estável, mas algumas coisas não combinam com outras. As secções entre bosses; a história que fala sobre o dilema da personagem principal, mas que perde muito da sua mensagem e depois é largada toda no final; e a falta de haver um sistema livre de combinações, são apenas alguns dos defeitos do jogo. É verdade que a última parte poderá ter sido feita propositadamente, deixando o jogo num estado mais puro, mas acaba por encurtar o período de entretenimento do jogo, descobrir novas combos, descobrir novos truques, novos cancelamentos de técnicas, etc., que faz com que muitos jogos deste género tenham fãs a descobrir segredos anos depois de terem sido lançados. Não é um jogo mau, de todo, e existe aqui algo muito bom, que com mais tempo, dinheiro e experiência, provavelmente a equipa fará um título melhor do que Furi. Mas no estado actual em que se encontra, o jogo acaba por falhar algumas metas e torna a experiência um pouco frustrante. Ainda assim, vale a pena pela sua gama de bosses variados e várias formas que cada um muda a jogabilidade a seu favor.

█ F.S.

FURI está disponível para a Nintendo Switch, PlayStation®4, Xbox One e Steam. Para mais informações, visita o website oficial.

FURI é a combinação dos estilos hack 'n slash, bullet hell e twin stick shooter. É visualmente interessante e dois anos depois do seu lançamento inicial, eis que o jogo chega à Nintendo Switch. Esta versão tem todos os DLC's lançados anteriormente, e o facto de ser portátil, poderá ser…

FURI

Jogabilidade - 80%
Gráficos - 80%
Som/Banda Sonora - 85%
Longevidade - 70%

79%

Bom

Existe aqui um jogo com uma fundação minimamente estável, mas algumas coisas não combinam com outras. Não é um jogo mau, de todo, e existe aqui algo muito bom, que com mais tempo, dinheiro e experiência, provavelmente será um título melhor do que Furi. Mas no estado actual em que se encontra, o jogo acaba por falhar algumas metas e torna a experiência um pouco frustrante. Ainda assim, vale a pena pela sua gama de bosses variados e várias formas que cada um muda a jogabilidade a seu favor.

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Filipe Silva
Aborrece-me:

2 comments

2 Pings/Trackbacks for "Análise – FURI"
  1. […] e um toque de Mirror’s Edge, com o seu parkour preciso e movimento rápido, e até por vezes FURI, nos aspectos de bullet hell e estratégias.. Mas, as parecenças acabam por aí, pois temos uma […]

  2. […] produtores de Furi, chega-nos uma nova aventura, Haven. Ao contrário do primeiro título frenético, o estúdio The […]

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