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Análise – Crash Bandicoot 4: It’s About Time

Quando recebi a minha PS2 no Natal de 2001, o jogo que os meus pais escolheram para acompanhar a consola foi o Crash Bandicoot: The Wrath of Cortex, que acabou por ser a minha primeira experiência com 3D Platformers. Agora olho para trás e consigo compreender algumas das críticas que o jogo recebeu na altura, mas aos olhos de um miúdo de cinco anos Wrath of Cortex era uma fonte infindável de diversão.

Mais tarde tive a oportunidade de jogar a trilogia original através de um emulador e o meu fascínio pela personagem e estilo de jogo só veio a crescer. Saudosismos à parte,  hoje estamos aqui para falar de Crash Bandicoot 4: It’s About Time, uma sequela direta da trilogia original da PS1 que descarta todo o universo criado após Crash Bandicoot 3: Warped. Quando o jogo foi anunciado no dia 22 de Junho, houve um misto de excitação e preocupação por parte dos fãs, em parte porque o jogo estava a ser desenvolvido por um novo estúdio, Toys for Bob.

Será que esta nova equipa foi capaz de entregar uma sequela digna?

Depois de acabar o jogo e completar uma série de desafios, posso responder com toda a certeza que sim. Crash Bandicoot 4 oferece aos jogadores uma experiência bastante completa, que não fica nada atrás dos títulos mais old school da série. Diversão, variedade e dificuldade. São estes os principais ingredientes da nova aventura do nosso marsupial favorito.

Se bem se lembram, Uka Uka e os doutores Neo Cortex e Nefarious Tropy ficaram presos no passado após terem sido derrotados no final de Crash Bandicoot 3. O jogo começa com Uka Uka a fazer um esforço para abrir um buraco no tecido do tempo e do espaço e Neo Cortex e N. Tropy aproveitam a oportunidade para escapar desta prisão temporal. Obviamente começam a causar estragos ao longo do tempo novamente.

Desta vez, Crash conta não só com a ajuda de vários amigos, como também de quatro máscaras quânticas que adicionam alguma variedade à jogabilidade tradicional de Crash Bandicoot. Passo a explicar:

Cada uma destas máscaras possui um poder que pode ser utilizado em certas zonas de determinados níveis. Alternar o centro de gravidade, parar o tempo e girar continuamente são alguns dos poderes que estas nos proporcionam. Ao início pensei que estes “poderes” não passassem de gimmicks, mas a verdade é que são utilizados de forma bastante inteligente (pelo menos a maior parte das vezes) e acabam por complementar o excelente level design que o jogo nos oferece.

Lembram-se de Tawna? A donzela que Crash salva no primeiro título da série e por quem nutre um grande afecto? Ela também está de volta! Quer dizer, mais ou menos… Pouco depois do início do jogo somos surpreendidos por uma nova Tawna de outro universo a que podemos chamar Tawnaverse. Esta Tawna junta-se a Crash e Coco como uma das cinco personagens jogáveis. Mais para a frente desbloqueamos também a possiblidade de jogar com Dingodile e Dr. Neo Cortex.

Para além de Crash e Coco, todas as personagens possuem mecânicas de jogo diferentes. Dingodile por exemplo apresenta-se como uma personagem mais lenta, enquanto Tawna se destaca pela sua agilidade e possibilidade de usar um gancho para chegar a plataformas distantes. Esta constante troca de personagens ajuda a criar uma maior ligação emocional com as mesmas e torna a jogabilidade mais diversificada e menos repetitiva.

Outra novidade que Crash Bandicoot 4 traz consigo é que desta vez não somos obrigados a jogar com a limitação imposta pelo número de vidas. Com o novo modo Modern, podemos morrer várias vezes, sem nunca termos de começar o nível do início. Caso queiramos optar por uma experiência mais old school, existe o modo Retro para os jogadores mais puristas e saudosistas.

Caso queiram partilhar esta aventura com um amigo (ou dois, ou até mesmo três), podem faze-lo através do modo Pass n’ Play. Neste modo cooperativo, o jogador deve passar o comando ao jogador seguinte de cada vez que morre ou passa um checkpoint. Por outro lado, caso queiram competir entre si em vez de cooperar, existem dois battle modes à disposição: Checkpoint Races e Crate Combo. Qualquer um destes modos é suficientemente capaz de proporcionar várias horas de diversão coletiva.

Citando Alex Supertramp:
Happiness is only real when shared

Os jogos antigos eram também muito criticados devido à dificuldade que era saber onde vamos aterrar depois de saltar. Isto torna-se frustrante, principalmente quando estamos a falar de plataformas pequenas. Crash Bandicoot 4 resolve este problema adicionando uma um circulo amarelo que indica com maior precisão o local de aterragem. Esta funcionalidade também pode ser desligada caso pretendam.

Para adicionar ainda mais variedade e diversão ao jogo, temos a possibilidade de repetir todos os níveis na sua versão N. Verted, uma espécie de universo paralelo que vos permite viajar sem a necessidade de tomarem alucinogénios.

Para aqueles que pretendem desafios a sério (não que o jogo em si não o seja), existem seis cristais para desloquear por nível (doze se contarmos com a versão N. Verted dos mesmos). Três se conseguirem apanhar 80% das Wumpa fruits, uma se destruirem todas as caixas, uma se morrem menos de quatro vezes e uma última que está escondida algures pelo nível.  Caso estejam a fim do desafio, existem 456 cristais no total.

Caso consigam chegar a uma certa parte do nível sem morrer, existe a possibilidade de serem surpreendidos por uma FlashBack Tape, que desbloqueia uma espécie de desafio onde temos de chegar do ponto A ao ponto B utilizando uma série de caixas suspensas. Estes desafios remontam ao ano de 1996, quando o Dr. Neo Cortex estava a fazer as suas primeiras experiências com Crash Bandicoot. Alguns destes níveis chegam a ser bastante frustrantes, mas ao mesmo tempo gratificantes quando os concluimos.

São varios os easter eggs e referências que podemos encontrar ao longo da nossa aventura e isso só mostra uma vez mais o carinho que o estúdio colocou neste título. Ainda assim, este não é um jogo perfeito. Por vezes é difícil apontar para a direção correta com o aspirador do Dingodile ou mesmo com a arma do Neo Cortex. Não é uma situação recorrente, mas pode enervar um pouco caso estejam numa situação de vida ou de morte.

Abstendendo-me do fator nostalgia (desculpa Wrath of Cortex), este é provavelmente o meu título favorito da franchise. A imersão é enorme e a vontade de passar a parte onde morremos da última vez é ainda maior. Sinceramente, não me lembro da última vez que fui de direta para o trabalho por causa de um jogo.

INB4

Mas acima tu dizes que o jogo tem falhas! Como é que tens o descaramento de lhe atribuir um 100%?
Porque a análise é minha e posso.

Quando recebi a minha PS2 no Natal de 2001, o jogo que os meus pais escolheram para acompanhar a consola foi o Crash Bandicoot: The Wrath of Cortex, que acabou por ser a minha primeira experiência com 3D Platformers. Agora olho para trás e consigo compreender algumas das críticas que…
Jogabilidade - 99%
Gráficos - 100%
Banda Sonora / Som - 99%
Longevidade - 100%

100%

É muito fácil recomendar Crash Bandicoot 4: It’s About Time aos fãs da série e caso nunca tenham experimentado nenhum dos títulos anteriores devido às suas mecânicas ligeiramente ultrapassadas, esta é a oportunidade perfeita para começarem a partir caixas e a colecionar cristais.

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Francisco Xavier

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