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Ys IX: Monstrum Nox – Análise

Esta análise foi elaborada pelo nosso colaborador André Silvestre

Ys IX: Monstrum Nox é um jogo desenvolvido pela Nihom Falcom e a 9ª entrada na série de jogos mainline Ys. (Tecnicamente a 10ª) Este jogo foi originalmente lançado a 26 de Setembro de 2019 na PS4 mas mais recentemente, em Julho de 2021, relançado em Windows, Nintendo Switch e Stadia. É um jogo action RPG também com vários elementos de platformers 3D, algo que é uma novidade na série. Esta análise foi feita com a versão em PC / Windows.

É a primeira vez que jogo um jogo da série Ys mas achei que a história não era difícil de acompanhar. Talvez porque mesmo nos outros títulos as aventuras são independentes e não é necessário conhecer a história dos jogos anteriores. Há referências aqui e ali, mas nada demasiado importante. Para quem já é fã da série, não passarão despercebidas.

Primeiras impressões

A minha impressão inicial da história foi fraca. Alguns eventos de início ocorriam inexplicavelmente. Mas à medida que a história avança, todas as questões são respondidas, ainda que lentamente. E, em retrospetiva, essa sensação de desconhecimento é um elemento, até certo ponto, importante para entendermos o ponto de vista do protagonista. Ainda assim, achei o início do jogo enfadonho. Por outro lado, a jogabilidade deixou desde logo muito boa impressão. Mas, mais sobre isso nas respetivas secções.

História

Ys IX retrata a aventura de Adol the Red, o protagonista na cidade de Balduq. Começa com Adol na prisão e a sua subsequente fuga, momento este que integra o tutorial do jogo. No final da fuga, uma mulher misteriosa surge e lança uma maldição a Adol que lhe dá poderes especiais, mas com certas limitações. Em seguida, há uma analepse e seguimos o verdadeiro início da história, horas antes com a chegada de Adol e o seu companheiro Dogi à cidade. A partir daqui entendemos o verdadeiro motivo pelo qual Adol foi preso e o que acontece depois de escapar.

 

Há um pequeno grupo de pessoas que foram amaldiçoadas da mesma forma e são chamados Monstrums. Agora Adol é um deles. Os Monstrums têm poderes especiais únicos e são ocasionalmente transportados para um mundo alternativo chamado Grimwald Nox, onde existem monstros ferozes que ameaçam destruir o mundo real. Quando isso acontece é a sua missão combater e impedir que os monstros interfiram com o mundo real.

 

Para além disto é difícil falar na história sem tocar em spoilers já que há pouco desenvolvimento no início. A narrativa foca-se na situação atual de Adol, agora um Monstrum procurado pelas autoridades, que passa por encontrar um esconderijo, ganhar aliados e desvendar o mistério por detrás da injustiça da qual foi alvo. As missões da história apontam-nos para os objetivos mais tangíveis no momento já que não sabemos, à partida, qual é o objetivo final.

Dito isto, a narrativa passa muito pelo desenvolvimento do lore e das personagens antes de avançar na história. Não há nenhum aliado que se junte à equipa de Adol sem termos a oportunidade de conhecer a sua história de fundo ou situação atual. Este processo ajuda-nos a criar uma ligação com as personagens que são bastante bem definidas e relacionáveis, cada uma com os seus objetivos, hobbies e angústias.

Outro ponto importante é como a narrativa utiliza a máxima “show don’t tell” tanto no desenvolvimento das personagens como ao contar a história nas cutscenes. Conseguimos observar o desenvolvimento das personagens através das suas ações ou decisões, ou perceber o que aconteceu em determinado momento sem que tenha que ser explicado em demasiado detalhe.

Jogabilidade

Uma das coisas que salta imediatamente à vista é a facilidade com que podemos explorar o mundo. O movimento é tão livre como num jogo de plataformas 3D onde podemos saltar de edifício em edifício, encontrar tesouros escondidos e, à semelhança de outros jogos com exploração, artefactos colecionáveis com conquistas relacionadas. Cada Monstrum tem uma habilidade especial que pode ser utilizada em campo e que adiciona outra dimensão à exploração. A exploração é um ponto muito positivo em Ys IX.

Existem barreiras de energia, relacionadas com a maldição dos Monstrum, que servem para impedir o acesso a áreas onde ainda não temos nenhum objetivo para cumprir. À partida pode parecer que o mundo do jogo é pequeno, mas, ao progredirmos na história, vamos desbloqueando mais áreas da cidade. (E até um pouco para além da cidade, sem querer entrar em muitos detalhes)

Como Action RPG as batalhas decorrem em tempo real. Podemos utilizar ataques básicos ou até 4 habilidades equipadas em simultâneo. Quando desbloqueamos mais personagens podemos ainda trocar a personagem em controlo a qualquer momento e utilizar o seu kit diferente. As habilidades custam SP que regenera fora de batalha ou atacando inimigos. Quando usamos habilidades suficientes podemos entrar no modo “Boost” que aumenta as stats da personagem temporariamente. Apenas durante o “Boost” podemos utilizar uma skill, chamada Extra, muito mais forte que as outras. Existem ainda duas mecânicas que recompensam reagir ou desviar de ataques por pouco e ambas conferem temporariamente invulnerabilidade entre outros bónus.

Podemos equipar armaduras, armas e acessórios que permitem utilizar diferentes estratégias de combate, e levar comida ou poções para as batalhas. Tudo isto resulta numa experiência de jogo divertida e sempre com várias opções disponíveis no que toca à preparação. O sistema de combate não é complicado, mas requer alguma prática para acertar nos timings e desviar de ataques.

O jogo também tem missões secundárias, que frequentemente têm como recompensas itens difíceis de obter até alguns capítulos mais tarde. Uma das recompensas pode até ser a missão em si, que serve para conhecer melhor a vida de outra personagem.

Por falar nisso, há dois tipos de aliado: os Monstrum que podemos usar nas batalhas, e os que oferecem serviços de vendas ou crafting na base. Alguns aliados juntam-se à equipa como parte das missões principais da história e outros como parte de missões secundárias. Sim, o jogo tem missões secundárias, algumas das quais estão limitadas a certos capítulos e ficam indisponíveis mais tarde.

Para além dos tradicionais menus de inventário, habilidades e party, temos acesso ao Journal. O Journal guarda informações sobre tudo, desde missões, tutoriais, bios de personagens, monstros, itens, áreas e exploração. Podemos sempre saber em que parte das missões estamos, ou alguma informação sobre as personagens que passou ao lado ou rever controlos. Já agora, cada vez que nos é introduzida uma mecânica nova é-nos apresentado um curto tutorial sobre o seu funcionamento, nada mais do que um pop-up que explica os controlos de forma bastante concisa.

No mapa podemos fazer fast-travel. Há waypoints em praticamente todo o lado, mas acessíveis só depois de serem encontrados. E os objetivos das missões estão perfeitamente marcados no mapa, portanto não há como perder tempo a encontrar os sítios.

Gráficos & Soundtrack

Para um jogo originalmente lançado em 2019 os gráficos não são estelares. As personagens têm um bom nível de detalhe, mas de resto os modelos 3D, efeitos visuais e paisagens são bastante simples. Apesar de haver opções para melhorar os efeitos visuais como sombras e pós-processamentos, não dá para melhorar o aspeto ou resolução das texturas. No geral os gráficos são decentes, mas não é um ponto positivo como a jogabilidade ou história. A interface dos menus, apesar de ser muito responsiva, o que é bastante bom, tem por vezes pouco feedback visual em transições.

A banda sonora tem temas memoráveis, em particular nos sítios onde passamos mais tempo, mas por algum motivo não parecem muito repetitivas. A verdade é que com as várias missões e exploração também não passamos muito tempo no mesmo sítio, apenas a ouvir a música já que estamos a consultar o mapa, a comprar itens, em batalha ou em cutscenes a acompanhar os diálogos das personagens.

Overview

Eu nunca tinha jogado um jogo da série Ys antes deste, mas devo dizer que fiquei bastante surpreendido. Não fiquei muito bem impressionado nas minhas primeiras horas de jogo, mas à medida que fui entrando na história e conhecendo melhor as personagens, mudei a minha opinião; foi quando comecei a entrar no universo Ys. A jogabilidade fluída com combate simples e divertido, a narrativa imersiva com personagens relacionáveis são dois pontos bastante fortes que devem convencer qualquer fã de JRPGs, pelo menos, a dar uma chance a este título. É também necessária alguma persistência para resistir às primeiras horas de jogo, onde há pouco desenvolvimento narrativo.

 

Agora que terminei o jogo, e esta análise, digo sinceramente que a série Ys ganhou mais um fã e fico à espera de notícias sobre o possível título seguinte Ys X.

Esta análise foi elaborada pelo nosso colaborador André Silvestre

Review Overview

Esta análise foi elaborada pelo nosso colaborador André Silvestre Ys IX: Monstrum Nox é um jogo desenvolvido pela Nihom Falcom e a 9ª entrada na série de jogos mainline Ys. (Tecnicamente a 10ª) Este jogo foi originalmente lançado a 26 de Setembro de 2019 na PS4 mas mais recentemente, em Julho…

Ys IX: Monstrum Nox

Jogabilidade - 90%
Gráficos - 56%
Som/Banda Sonora - 80%
Longevidade - 80%
Narrativa - 90%

79%

Ultrapassando os gráficos menos bons, Ys IX: Monstrum Nox é um action-RPG sólido com uma excelente narrativa e jogabilidade.

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