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Análise – Need For Speed: Unbound

Need For Speed: Unbound é a mais recente tentativa por parte da Electronic Arts, Criterion Games e Codemasters Chesire de tentar reavivar a saga Need For Speed. Need For Speed: Unbound é uma mistura de várias coisas, mas será homogéneo o suficiente para ser um título interessante?

A primeira vez que vi o trailer de Need For Speed: Unbound fez-me lembrar dos tempos em que Need For Speed era caracterizado por ser uma saga em que o mais importante era a cultura. Sim, a velocidade e performance do carro eram muito importantes, mas a representação da cultura automobilista era a prioridade. E acho que com este título, a série volta a colocar essa vontade, de mostrar o mundo da cultura, que acaba por ser o mais importante de qualquer comunidade, partilhar momentos, interesses e conhecimento. Desta vez, a história do jogo é sempre sobre a cultura, misturada com honestidade, lealdade, vingança e perdão, tudo misturado e atirado à parede. O problema é que raramente funciona como deve ser. A história deste título existe mais para dizer que existe do que propriamente ter uma verdadeira função no jogo.

Os diálogos de Need For Speed sempre deixaram muito a desejar, porque sempre se levaram demasiado a sério, mesmo em grandes títulos como Need for Speed: Underground, e a sequela, e Need for Speed: Most Wanted (2005), em que o diálogo era muito duvidoso, para não dizer abismal em certos casos, e que mais lembrava um filme de segunda categoria, mas com um orçamento respeitável. Na altura, tinha um certo charme, porque a indústria começava a dar os seus primeiros passos nas grandes produções em termos de narrativa, mas quase 20 anos depois, se vão criar uma história, que seja em condições. Ou utilizar realmente A$AP Rocky como deve ser, em vez de parecer que é apenas uma forma de fazer marketing. Que seja criada uma história que não seja a coisa mais previsível deste mundo, e caso seja, que ao menos tenha uma estrutura minimamente concisa e decente. Que não é o caso desta, sendo muito sem sabor nem tempero. Apenas existe para dizer que existe.

Mas se a história desaponta, já a jogabilidade consegue brilhar mais qualquer coisa. Primeiro de tudo, a dificuldade deste jogo consegue ser altamente frustrante, até nos modos mais fáceis. A IA consegue ser, ou altamente estúpida ou incrivelmente matreira, e saltar tudo e todos e passar para primeiro lugar sem grande esforço. A condução é muito boa, ainda que não seja excelente, mas pequenos detalhes como este fazem com seja necessário por vezes saber muito bem as manhas do jogo, não só pelo mapa ou condução, mas também pelas falhas da IA, principalmente se apostamos dinheiro em cada evento. É possível sentir a diferença entre carros no seu manuseio, principalmente entre carros de diferentes objectivos, corrida ou drift.

Em relação ao drift, este é muito minimalista e grande maioria das mecânicas são muito rudimentares. Sim, é possível fazer drift no jogo, principalmente quando queremos escapar aquelas curvas apertadíssimas, mas desengane-se quem pensar que é possível ter uma competição saudável de drift entre dois veículos, sem grandes problemas, porque simplesmente não vai acontecer. As provas de drift poderão ser as provas mais complicadas do jogo, porque é preciso ter o nível de drift bem alto no manuseamento e mesmo assim não é com qualquer carro, sendo que os melhores são muscle cars e 4WD. É demasiado inconsistente para ser divertido, sem que seja lançado algum tipo de melhoramento.

Neste NFS, também temos que fugir à polícia. Temos um sistema de horário (dia e noite) em que a nossa reputação diária aumenta com o número de corridas/eventos que fazemos. Após alguns eventos, teremos que fugir à polícia e com um nível maior de atenção, o jogo consegue ser implacável. Até chegarem a um túnel e conseguir arrumar alguns dos carros que vos perseguem, pode ser uma corrida muito interessante, lembrando um pouco o Need for Speed: Most Wanted original, onde tínhamos lugares específicos para esconder. Sim, porque poderão ter que jogar um pouco de stealth ao longo do dia, para não serem apanhados a meio duma viagem pelo mapa. Em termos de modos, temos os tradicionais modos de corrida contra outros adversários, drift, 1VS1, fugir à polícia, corrida contra o tempo, e por fim, o modo takeover, tentando explorar uma das novas facetas da cultura automobilista, que basicamente pega num pouco de todo o que já existia (burnouts, drag racing e street racing) e coloca-os no meio das cidades.

No entanto, o jogo simplesmente coloca os carros a competir num local fechado, com vários tipos de obstáculos, de forma a acumular, ou desacumular, pontos. Estes conseguem ser uma boa variação ao usual do jogo, mas acaba por ser um pouco parecido, ainda que mais fácil. No entanto, acho que mais modos não faziam mal nenhum, e parece que o jogo concorda comigo, porque temos sistemas e mecânicas que mostram um pouco isso. Por exemplo, temos vários tipos de motores, uns para drag racing, outros para corridas, outros para maratonas, que no final acabam por servir o mesmo propósito. A condução e velocidade lembrou-me os bons velhos tempos de Burnout e como tenho saudades da série. No geral as corridas são muito divertidas, ainda que seja necessário ter em atenção detalhes FORA da própria condução e mecânicas do jogo.

Os gráficos poderão ser um dos pontos mais controversos do jogo, apenas pela sua disparidade de estilos. Pessoalmente, gosto muito do visual, seja o mais realista, seja o cel-shade. Penso que esta disparidade entre estilos poderá afastar mais gente do jogo que se possa pensar, porque a série NFS sempre apostou mais no realismo visual, ainda que a jogabilidade tenha sempre assentado mais no arcade. No entanto, este título poderia ser algo mais parecido com Auto Modellista da Capcom, um jogo de carros para a PlayStation 2 com um visual completamente feito em cel-shade. Mas acredito que a EA não quis arriscar numa alteração tão grande a uma série já bem conhecida, ainda que já não tenha o mesmo charme e encanto de outrora.

Tanto os carros como o mapa estão muito bons, sendo representados de forma credível, principalmente a cidade, que é a primeira vez, que saiba, onde um jogo de carros tem pessoas a fazer a sua vida. É certo que não têm o mesmo detalhe que os peões que vivem noutros mundos abertos como GTA V ou Red Dead Redemption 2, mas ainda assim é sempre bom ver mais alguma actividade na cidade, sem que seja sempre pelos carros. Já que estamos no tema de carros, estes têm uma excelente apresentação, com várias partes possíveis de alterar o visual de cada carro, de acordo com algum modelo predefinido ou alterarmos peça a peça, de forma a termos um carro o mais personalizado possível dentro do jogo. Temos uma lista variada de carros, mas segundo consta, apenas contém mais 20 carros que o último título da série, mesmo sem qualquer tipo de Toyota, claro.

Continuado no tema dos carros, estes conseguem ter um som bastante característico, e cada um parece ter um som minimamente único. É claro que, em termos de cultura automobilista sou muito amador, por isso os veteranos poderão reconhecer mais detalhes entre cada carro/motor, mas numa perspectiva mais ignorante, soam bem. Todo o sound design do jogo está muito bem conseguido, com os vários tipos de terreno e/ou locais diferentes soarem também diferentes. Cada carro, cada movimento, cada acção, soa de forma diferente, tornando a experiência mais imersiva. A não ser que não tenha presenciado alguma coisa fora do normal, parece-me extremamente bem.

No que toca à banda sonora, esta poderia ter alguns melhoramentos. Já lá vai o tempo em que podíamos escolher a banda sonora e apenas ter músicas que gostássemos dentro do jogo. É verdade que é possível agora colocar o volume da música do jogo no mínimo e ligar o Spotify, mas a não ser que esteja incorporado, acaba por não ser a mesma coisa. Uma coisa boa da banda sonora, é a variedade de nacionalidades da mesma. Existem artistas de vários cantos do mundo e isso torna a experiência para qualquer pessoa muito melhor, poder ouvir algum artista “desconhecido” do que se normalmente ouve na rádio, apenas por estar noutro país. Mas se a alta variedade de nacionalidades é boa, a baixa variedade de estilos torna a experiência um pouco mais monótona. Falta mais Drum’n’Bass, falta mais Rock, falta mais Techno, falta mais Metal. Falta até, mais Hip-Hop. O que está presente acaba por assentar muito no mainstream e o jogo perde uma excelente oportunidade de explorar um estilo dentro da cultura, o Drift Phonk. Mas lá está, a música é muito subjectiva e o que eu poderei achar pouco, outros jogadores podem achar muito ou até demasiado.

Em termos de longevidade, a história do jogo não deverá mais do que 40 horas, e estou a ser muito generoso, incluindo coleccionáveis e certos desafios com carros como prémio, o modo história rege-se por semana, sendo que após 4 semanas temos um desafio final. Em termos de online, conseguimos obter os mesmos carros do modo história, mas o modo em si funciona de maneira um pouco diferente. Temos vários eventos durante a nossa sessão e podemos ir acumulando dinheiro em cada uma. Mas precisamos de desbloquear muita coisa novamente, o que deixa qualquer jogador sem grande vontade de explorar, a não ser pela interacção multi-jogador. E também não temos perseguições policiais, pelo menos por enquanto, o que podia dar uma nova vida ao modo online. De resto, funciona minimamente bem, e dependerá muito do conteúdo pós-lançamento e/ou vontade dos jogadores de explorarem mais o título.

Acho que é perceptível as influências do jogo, nomeadamente dos seus antecessores Underground, Underground 2, e o Most Wanted original, de forma a fazer renascer a série, mesmo após o reboot em 2015. Mas também acho que a Criterion Games tem um desafio enorme de voltar colocar a série Need For Speed na ribalta e isso não é fácil. Mas apesar das suas falhas, e algumas delas conseguem ser graves, é um jogo extremamente divertido na sua essência. E isso ninguém lhe tira.

█ F.S.

Análise – Need For Speed: Unbound

NEED FOR SPEED: UNBOUND está disponível para a PlayStation®5, Xbox Series S|X e no PC via EA Play, STEAM® e Epic Games Store. Para mais informações, visita o website oficial.

Need For Speed: Unbound é a mais recente tentativa por parte da Electronic Arts, Criterion Games e Codemasters Chesire de tentar reavivar a saga Need For Speed. Need For Speed: Unbound é uma mistura de várias coisas, mas será homogéneo o suficiente para ser um título interessante? https://youtu.be/OKOlhoX2UEg A primeira…

Need For Speed: Unbound (PlayStation 5)

História - 55%
Jogabilidade - 89%
Gráficos - 93%
Som / Banda Sonora - 80%
Longevidade - 75%

78%

Bom

Acho que é perceptível as influências do jogo, nomeadamente Underground, Underground 2, e o Most Wanted original, de forma a fazer renascer a série, mesmo após o reboot em 2015. Mas a Criterion Games tem um desafio enorme de voltar colocar a série Need For Speed na ribalta e isso não é fácil. Mas apesar das suas falhas, e algumas delas conseguem ser graves, é um jogo extremamente divertido na sua essência. E isso ninguém lhe tira.

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Filipe Silva
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