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Análise – The Sinking City | PS4

Produzido pelo estúdio de desenvolvimento independente e ucraniano Frogwares, mundialmente conhecido pela saga de jogos de Sherlock Holmes, tendo lançado em 2016 o Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter e publicado pela Bigben Interactive, chega-nos The Sinking City, um título que é uma espécie de miscelânea entre ação, aventura, terror e mistério.

The Sinking City é inspirado no admirável e simultaneamente controverso trabalho do escritor americano Howard Phillips Lovecraft (H.P. Lovecraft) que dedicou a sua curta vida (faleceu aos 46 anos de idade) à escrita de obras literárias sobretudo de ficção paranormal e sobrenatural. Como não podia deixar de ser, em The Sinking City a história passa-se na década de 1920 e baseia-se claramente nos aspetos referidos acima, onde o jogador assume os destinos de um detetive e veterano de guerra de nome Charles W. Reed, que se apresenta claramente perturbado fruto de umas aterradoras e inexplicáveis alucinações. Em busca de tratamento, Charles W. Reed parte para Oakmont, uma cidade piscatória, mas em vez de encontrar a solução para os seus problemas, depara-se com uma localidade assolada por eventos trágicos, macabros e onde os habitantes vivem agoniados com as constantes cheias que inundam grande parte da cidade.

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Oakmont tem uma longa história de associação com o oculto, onde muitos dos seus cidadãos não são apenas praticantes ocasionais, mas sim extremamente dedicados ao ocultismo e ao paranormal. Seis meses antes do inicio da trama, a cidade foi devastada por uma inundação misteriosa e persistente de origem sobrenatural que submergiu muitas de suas ruas e isolou-a do continente. “The Flood”, como é conhecido pelos seus habitantes, trouxe consigo uma força tenebrosa que inexoravelmente infunde histeria e loucura nas mentes dos cidadãos que vivem completamente aterrorizados. É neste cenário deveras assombroso que Charles W. Reed, com a ajuda do jogador, irá tentar por um lado encontrar a razão das suas alucinações e por outro investigar e desvendar os mistérios que pairam sobre Oakmont.

The Sinking City é um jogo em mundo aberto com uma perspetiva em terceira pessoa onde é privilegiado a narrativa, a investigação, a observação atenta dos detalhes, pormenores e pistas, em relação a uma ação desenfreada e desorientada de outros jogos. A cidade de Oakmont é organizada em sete distritos (Advent, Coverside, Grimhaven Bay, Oldgrove, Reed Heights, Salvation Harbour e The Shells), todos eles afetados por inundações de escala diferentes e onde o jogador necessita de usar um barco para atravessar as ruas alagadas. Podemos optar por nadar, no entanto devido ao mau estado da água, vários danos podem ser causados à saúde e sanidade do jogador.

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De modo a auxiliar a nossa demanda, o detetive pode paulatinamente ir construindo um arsenal quer de ferramentas, quer de armas, que podem ser utilizadas para matar seres do outro mundo e dissipar algumas alucinações, mas que por vezes se tornam muito complexas de utilizar de uma forma rápida e assertiva. No entanto, o meu maior conselho vai para a poupança das munições, uma vez que a cidade de Oakmont é um lugar isolado, com recursos cada vez menores e onde as balas substituíram o dinheiro como a moeda preferida, pelo que gasta-las em demasia pode deixar-nos incapazes de trocar por outros itens desejados.

Outro recurso importante é a sanidade, que é consumida através dos poderes de investigação, que são usados por nós quando identificamos pistas e/ou reconstruimos as cenas de crime. A sanidade regenera-se lentamente por si só, mas pode ser reabastecida mais rapidamente com o uso drogas anti psicóticas, no entanto temos que ter um cuidado especial no seu uso pois podem afetar a perceção do jogador sobre ambiente que nos rodeia.

Em termos de jogabilidade, The Sinking City como já mencionado acima, não esperem por muita ação onde os objetivos passam ir do ponto A ao B, aniquilando tudo e todos que se colocam no nosso caminho. Aqui o foco é completo na investigação, na descoberta de pistas e indícios que possam levar à resolução do mistério, passando inúmero tempo interrogando NPCs que são importantes para o desenrolar da história, pois revelam informações necessárias e utéis. No entanto os primeiros problemas começam verdadeiramente a aparecer quando temos que recorrer ao combate, uma vez que por um lado torna-se realmente desafiante tentar destruir os seres paranormais recorrendo as armas, quer sejam de longo alcance como de corpo a corpo, assim como quando somos atingidos é realmente frustrante recorrer ao método de tratamento uma vez que é muito moroso e lento. Certo é que podemos sempre fugir, mas até nesse aspeto as hipóteses de sucesso são diminutas, pois a velocidade de locomoção da nossa personagem é incrivelmente reduzida.

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Graficamente, The Sinking City revela-se um pouco ambíguo, pois eleva a fasquia em torno da ambientação inquietante e sombria da cidade de Oakmont, transmitindo verdadeiras sensações de horror e exasperação, contrastando claramente com a falta de cuidado e talvez algum desleixo sobretudo nas cenas em que dialogamos com os NPCs. Fica a ideia que a Frogwares apostou claramente todas as fichas na caracterização do ambiente taciturno e sombrio do local onde se passa a história, esquecendo-se do restante.

A sonoplastia está cuidada e dedicada, onde o ambiente sonoro da cidade é deveras detalhado, chegando ao pormenor de ouvirmos os sons dos pingos da chuva ou os passos de Charles W. Reed serem de tons diferentes consoante o terreno que pisam. A contemplar os efeitos sonoros, existe uma banda sonora discreta, mas que é perfeita para tornar o ambiente ainda mais obscuro e tenso. Nesse aspeto nada de errado a apontar, apenas e mais uma vez volto a insistir numa situação que contínuo sem perceber a razão de ser, que é a ausência do idioma Português (já nem refiro as vozes das personagens a serem dobradas para PT) o que para mim é incompreensível nos tempos que correm, uma vez que os custos nem são de todo elevados.

Em suma, The Sinking City é claramente um título onde a narrativa e observação atenta dos detalhes minuciosos se sobrepõem à jogabilidade, sendo que por esse facto, provavelmente não agradará facilmente ao jogador mais comum e trivial, sobretudo aquele que procura uma ação desenfreada.

Esta análise foi realizada através de uma cópia cedida pelo representante nacional de relações públicas Upload Distribution

Produzido pelo estúdio de desenvolvimento independente e ucraniano Frogwares, mundialmente conhecido pela saga de jogos de Sherlock Holmes, tendo lançado em 2016 o Sherlock Holmes: The Devil's Daughter e publicado pela Bigben Interactive, chega-nos The Sinking City, um título que é uma espécie de miscelânea entre ação, aventura, terror e…

The Sinking City

Jogabilidade - 70%
Gráficos - 75%
Som / Banda Sonora - 85%
Longevidade - 70%

75%

The Sinking City é claramente um título onde a narrativa e observação atenta dos detalhes minuciosos se sobrepõem à jogabilidade, sendo que por esse facto, provavelmente não agradará facilmente ao jogador mais comum e trivial, sobretudo aquele que procura uma ação desenfreada.

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Carlos Silva

Carlos Silva

Tenho 3 paixões: família, futebol e tecnologia. Desde muito cedo que os videojogos fazem parte do seu ritual quotidiano, mas só um perdura durante os anos da sua vida, Football Manager. No entanto, aprecio um bom First Person Shooter ou Third Person Action com uma história bem envolvente.
Carlos Silva

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