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ENTREVISTA DE PESO – CÉSAR RAMOS // SHELL FROM OCEANIC

Como forma de homenagear o nome do website, pensámos que seria interessante entrevistar algumas das personalidades da música pesada e tentar saber um pouco mais sobre a sua relação com os videojogos.

O terceiro entrevistado é César Ramos, guitarrista e teclista da banda nacional Shell From Oceanic.

 

Olá César, tudo bem contigo? Queria antes de mais agradecer por participares na nossa série de “ENTREVISTAS DE PESO”. Será que podias começar por dizer aos nossos leitores quem são os Shell From Oceanic e que género musical tocam?

Somos um grupo do Porto. Quando começámos, todos tínhamos inspirações diferentes, mas também o objectivo comum de criar um projecto de metal progressivo que fosse relativamente distinto daquilo que já existia, o que eventualmente levou ao lançamento do primeiro álbum, ‘Ambivalence’, em 2014. Não temos vocalista, o que nos fez focar a 100% na música, e também nos levou a ter feedback positivo de muitos sítios inesperados. No entanto, apesar do álbum ser, em grande parte, um trabalho de metal progressivo, não gostamos de nos “etiquetar”, mas sim de compor num espectro abrangente, que muitas vezes foge ao metal e entra noutros contextos.

 

Quais os temas que vos inspiraram na produção do vosso álbum? Algum filme, livro, etc.? É seguro dizer que os videojogos fazem parte do vosso arsenal de inspiração?

É difícil enumerar pontos de inspiração. Para além das bandas de eleição de cada um e afins, a composição do álbum foi produto de uma junção de imensas ideias que se foram moldando durante alguns anos. Todos somos grandes fãs de cinema, séries, livros e videojogos, mas a nível temático, creio que não há nada que possamos apontar como algo que realmente nos tenha inspirado.

 

A banda possui integrantes que sejam jogadores ferrenhos? Quais os seus jogos favoritos? E o teu?

Maioritariamente apreciamos Diablo II, Croc, Bionicle, Pro Evolution Soccer 2 (o da PS1, claro), sacar uns kickflips no Tony Hawk’s Pro Skater 2, a demo do Hercules que saia nos cereais da Nestlé, e fazer LAN parties de Age of Empires II.

 

Quão importante achas que uma banda sonora deverá ser para um jogo? Existe alguma banda sonora que te marcou até hoje?

Como músico, naturalmente tenho tendência a colocar a importância da música num jogo num patamar elevado, quanto muito porque é uma presença constante durante a experiência, e é grande responsável por estabelecer a atmosfera do jogo. A minha banda sonora favorita – e também o meu álbum de música favorito – é a soundtrack do Final Fantasy VI para a SNES (que curiosamente também é o meu jogo favorito, só para ser consistente). Aos 11 anos, foi a ‘Dancing Mad’ que me deu o clique e me fez mesmo querer aprender a tocar órgão, o que me levou a ter aulas na altura, as quais deixei passado um ano porque eu era preguiçoso (e de certa forma ainda sou). Só uns poucos anos depois é que me voltei a interessar por música a ponto de começar a tocar guitarra e a compor, após um amigo que conheci no Habbo Hotel se fartar de me bombardear com músicas de Buckethead depois de não conseguir fazer um score decente na ‘Jordan’ no Guitar Hero 2, o que me levou a pensar “hey, também quero fazer estas cenas na guitarra!” Mas até hoje, o FFVI continua a ter o mesmo impacto em mim que tinha na altura. A soundtrack é um trabalho fenomenal, com leitmotifs a percorrer o enorme elenco de personagens e todas as situações da narrativa de forma muito coesa e natural, ainda é um álbum que ouço na íntegra entre alguns meses espaçados.

 

Qual a música mais inesperadamente boa que ouviste num videojogo?

Acho absolutamente ridículo o quão boa esta música é. Sem mencionar que estamos a falar de um platformer de PS1. Isto também.

 

Se pudesses fazer uma banda sonora para três jogos, quais seriam e porquê?

Na onda do retro-revivalismo actual, surgiram nos últimos anos alguns jogos com soundtracks peculiares que me realmente fazem explorar lugares distintos. Tenho pena de ter ficado longe de terminar o Fez, mas adorava fazer algo ao nível da aura nostálgica desta soundtrack. Também gostava de compor para um RPG dos 90s. E só não digo que gostava de compor para um jogo de Pokémon porque já tive oportunidade de o fazer para um fan-game. Infelizmente, o projecto acabou por ser cancelado, mas lancei 30 músicas num álbum, que está disponível para download aqui.

 

Quem são os teus compositores favoritos no mundo dos videojogos?

Quando era puto e a minha idade podia ser contabilizada através de um só dígito, o meu pai costumava comprar as revistas “Mundo do CD-ROM”, que acabavam por ser a origem de muita coisa que eu jogava, pois não tinha consolas nem dinheiro para jogos completos. Lembro-me de jogar vezes sem conta um jogo freeware, provavelmente feito em Game Maker, chamado “Out of the Pit”. O jogo era bastante decente para o que era (também, na altura, qualquer coisa era decente), mas a soundtrack foi o que me fez mesmo adorar aquilo, era incrível, e por vezes até demasiado emocional para um jogo em que as personagens eram bolas laranja com olhos zangados que saltavam de um lado para o outro. O que me levou a conseguir encontrar os MIDIs na pasta do jogo, converte-los para MP3 e gravar num CD para poder andar com o walkman na escola a ouvir aquilo. Claro está, vim depois a saber que eram MIDIs de músicas do Final Fantasy 1 e 2. É quase cliché dizer isto, porque é uma pessoa fácil de colocar no topo, mas no que toca a compositores, para mim, Nobuo Uematsu leva o bolo. Honestamente, depois de ter desaparecido da Square após o Final Fantasy X, o facto de ele não estar presente foi grande parte do que me levou a não jogar mais nenhum FF. Falando no FFX, que também é dos meus jogos favoritos, a soundtrack desse jogo também tem um lugar cativo nas minhas preferências, em grande parte graças ao trabalho colaborativo com Masashi Hamauzu, que tem uma abordagem mais clássica e orientada ao piano, e mais facilidade em criar sons mais etéreos e ambiente. Por último, acho relevante mencionar que em 2016 dirigi-me à Comic-Con Portugal com o intuito quase exclusivo de sacar um autógrafo do Jun’ichi Masuda no meu Pokémon Silver que me acompanha desde a escola primária. Quando soube que só se disponibilizava a dar 50 autógrafos, escusado será dizer que passei o resto de dia de trombas. Mas hey, pelo menos deu para ver o homem! (Ele existe mesmo).

 

Quais jogos estás a jogar neste momento?

É sempre difícil para mim enumerar porque costumo ter pouco tempo para jogar, o que às vezes me leva a demorar meses a terminar um jogo. Por exemplo, faz agora um ano que comecei o GTA V e ainda vou a 40%. No que toca a jogos que tenho jogado nos últimos meses, insiro o Bayonetta (o port de PC está impecável), 3D Dot Game Heroes, Life is Strange, The Last of Us, e Crash Bandicoot N. Sane Trilogy. Quando os vou acabar? Não sei, mas espero terminar pelo menos um deles até ao Natal. Possivelmente antes disso ainda jogo Metal Gear Solid 2 pela 9ª vez. E como a minha cena é, comprovadamente, diversificar, cheira-me que vou experimentar o Hatoful Boyfriend que está grátis no Plus, because why the hell not?

 

Qual será, e quando, o próximo projecto da banda?

Estamos de momento a trabalhar num novo álbum, e teremos novidades muito em breve.

 

Consegues conciliar os jogos, a banda, o trabalho, e tudo o resto que fazes ao mesmo tempo?

Não :^)

 

Por último, qual o sentido da vida?

Não faço a mínima ideia. E acho que o sentido da vida é mesmo isso, depois de passar por muitas conclusões contraditórias, concluir que ninguém faz a mínima ideia, e que nada realmente interessa. Just go with the flow man.

 

Gostaria de agradecer mais uma vez pela oportunidade de entrevistar-te. Tens algo a acrescentar aos nossos leitores? Algum comentário?

Agradeço eu desde já pela entrevista! Para a Moshbit, dou graças ao site e a esta rubrica. Ter um inside scoop destes e potencialmente conhecer música nova junta duas paixões minhas de forma agradável. E para os leitores, se estão a ler isto, provavelmente é porque jogam videojogos. Se têm um backlog gigantesco de títulos por jogar no Steam (como eu) ou seja lá onde for, não se sintam mal por não os jogarem a todos. A vida é demasiado curta para dar tempo a jogos medíocres (ou filmes, ou séries, ou seja lá o que for). Foquem-se no que é essencial, vão conhecer pessoas novas, apanhar bebedeiras e jogar Saints Row IV em co-op, que é estupidamente engraçado. Ah, e se ouviram o nosso álbum e gostaram, fiquem atentos à nossa página no Facebook! Em breve já teremos notícias.

Filipe Silva
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