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Análise – Daemon X Machina

Esta análise foi elaborada pelo nosso colaborador André Mendonça.

Contexto do jogo até ao seu lançamento

Desde a revelação de Daemon X Machina na E3 de 2018 fiquei curioso com o título. Embora toda a ação parecesse algo confusa, os visuais para uma consola híbrida como a Nintendo Switch mostravam ser promissores, a música do trailer, para fãs do género Metal como eu, agarrou de imediato a atenção. Uma coisa é certa, o jogo ficou no meu radar desde essa altura. Antes de passar à critica do jogo, devo lembrar que a primeira demo que lançaram é capaz de ter ajudado a matar a excitação. Pelo que mostravam no trailer de revelação do jogo, a ação parecia feroz, mas quando iniciei a demo pela primeira vez fiquei muito desapontado com várias mecânicas, com a falta de fluidez entre outros aspetos. Não fui o único na altura a desgostar do que foi apresentado e a partir desse momento começou a gerar-se alguma negatividade. Felizmente, à imagem de Octopath Traveler, o jogo foi alterado mediante as críticas feitas pelos fãs à primeira demo e foi lançado pelas redes sociais um vídeo com as diferenças entre a primeira versão e a final. Um pouco em cima da hora, foi ainda lançado uma segunda demo que permitia transferir todo o progresso alcançado para o produto final, mas infelizmente esta segunda demo acabou por deixar alguns fãs ainda mais convictos de que o jogo não iria fazer justiça ao tempo e dinheiro que o jogo exigia. Ainda antes do jogo ser lançado deram-se algumas controvérsias entre a produtora Marvelous e vários influencers nas redes sociais que viram os seus vídeos com as reviews e gameplay do jogo a serem alvo de copyright strikes. Em resumo, o ambiente em torno de Daemon X Machina não era bonito.

Daemon X Machina e a sua história cliché

Daemon X Machina pode ser considerado um mech shooter onde o jogador assume o controlo de um robot controlado por um mercenário. Sem entrar em território de spoilers o jogo contextualiza toda a ação de forma misteriosa e lentamente vai revelando mais detalhes sobre o mundo do jogo. Regra geral, o jogador é informado sobre um desastre que levou a alterações profundas na sociedade que pode estar à beira da extinção, provocada por uma energia estranha (partículas Femto), que descontrola e manipula robots a atacar humanos. O papel do jogador é em conjunto com várias equipas de mercenários neutralizar todas as ameaças e ajudar diferentes fações da humanidade em parceria com um supercomputador, com inteligência artificial avançada, a investigar e se possível restaurar a paz no mundo. O jogo conta com voice acting bem executada em geral pelos atores convidados, porém a apresentação e a contextualização das conversas com o tempo podem tornar-se cansativas. Falando em cansativo, fora algumas piadas durante as conversas entre personagens um tanto ou quanto simplórias, mas eficazes, a história do jogo quer parecer profunda e misteriosa, mas no fim não passa de uma narrativa altamente cliché e previsível. Portanto se o leitor quiser jogar o jogo pela sua história é provável que acabe desapontado. No entanto gostos não se discutem, mas ficam desde já avisados sobre a “simplicidade” do que é apresentado.

Provavelmente um dos jogos com visual mais apelativo

Já todos estamos cansados de saber que a Nintendo Switch não pode ser comparada em termos gráficos de forma justa com as restantes consolas, porém Daemon X Machina tem um visual muito interessante e apelativo. Não faltam detalhes na customização da personagem principal logo no início, como também durante o jogo. Já a customização do robot (mech se preferirem) é impressionante, as preferências vão desde arma esquerda e direita (metralhadores, snipers, espadas, etc), armas de substituição durante o combate (esquerda e direita), sub-weapon (lançadores de misseis, raios laser, etc.), equipamentos auxiliares com todo o tipo de efeitos benéficos durante o combate. Isto é apenas o armamento de forma muito resumida! O que não faltam são membros do corpo do robot como cabeça, tronco, pernas e braços e como se não bastasse todo o corpo desta grande máquina pode ser personalizado com uma vasta quantidade de cores ou padrões e pinturas que se vão colecionando. Sempre que iniciamos o jogo, logo após o loading screen, temos o prazer de vislumbrar a nossa construção cada vez mais imponente. A gráfica presente no hangar, o ponto de partida para todas as missões, encontram-se cores mais detalhadas e os efeitos são mais intensos. Durante as missões no campo de batalha, os visuais ganham uma dimensão mais aproximada à animação japonesa típica dos animes (desenhos animados) ou mesmo mangas (banda desenhada). Durante as batalhas é impossível não deixar de notar os efeitos estranhos, mas cativantes do disparo de um raio laser ou de uma explosão. Devo realçar que durante todo o jogo tive uma pequena quebra na frame rate, mas nada problemático. Em resumo os visuais em Deamon X Machina são um dos pontos mais fortes do jogo!

Sons vibrantes, músicas entusiasmantes e misteriosas. E depois são recicladas sem misericórdia.

Como já referi, a música do trailer de revelação impressionou-me pela positiva! Eu que sou fã de ter as bandas sonoras na palma da minha mão e poder ouvir enquanto conduzo, estava entusiasmado com a perspetiva de poder ouvir as faixas agressivas que o jogo parecia oferecer. No início tudo é novo e entusiasmante, depois das primeiras três horas de jogo tudo começou a fazer mais sentido, o jogo reciclou sem misericórdia as músicas e sons disponíveis. Isto não significa que ouvir o som de um raio laser ou de uma metralhadora não seja bom ou que a música para um boss (que é a mesma do trailer) não seja boa, no entanto cansei-me de ouvir constantemente a mesma coisa e acabei por diminuir e por vezes até jogar sem som de tão enfadonho que era a repetição. O voice acting como já foi dito até está bastante bem executado, o que ajudou a salvar uma história muito aborrecida e previsível. Em termos sonoros fico dividido, se por um lado gosto do que ouvi por outro lado fico desapontado com a falta de variedade.

As primeiras missões são uma novidade, depois são um hábito e depois não passa de um grande tédio.

Em Deamon X Machina podemos encontrar aquilo que à partida parece ser um jogo complexo e até mesmo confuso ao início. O jogo oferece um sistema de upgrades da personagem principal que está dividida entre cabeça, tronco e pernas. Cada uma das partes está representada por uma árvore de habilidades que podem influenciar tanto a capacidade do mercenário como a do robot e para isso o jogador tem que gastar o dinheiro que recebe das missões. No menu principal encontramos a opção para avançar nas missões, o hangar para customizar o visual, o armamento e equipamento no robot, uma loja para compra e venda de peças, uma secção de desenvolvimento de novas armas e um menu com as definições básicas do jogo. Um dos aspetos mais profundos de Daemon X Machina é a customização e o sistema de sats típico de RPG’s presente em cada arma ou equipamento, é demasiado detalhe! Honestamente não sei se é uma coisa boa ou má, sei que é altamente complexo. De forma a exemplificar, uma metralhadora tem sats que vão desde a memória que ocupa no processador do robot, dano, dano da bala, quantidade de balas por munição e as respetivas munições, velocidade da bala, fire rate, tempo de reload, precisão, peso da arma e não disse tudo! Para quem gosta de números e pouca explicação vai garantidamente encontrar muito com que se entreter. Os controles são responsivos e mapeados de forma intuitiva e também podem ser customizados. Inicialmente o jogo explica passo a passo tudo que está a acontecer durante as batalhas e depois dá espaço para o jogador aprender e habituar-se às mecânicas. Para o bem e para o mal o ecrã está repleto de informações! Estas informações não são inúteis, aliás são bem importantes para manter o controlo das batalhas e da missão. Existe a barra de vitalidade (HP), barra da energia femto (para uso de habilidades especiais), barra para o boost, dados da missão, munições de cada arma, mira e na aproximação de inimigos o lock-on. Para um jogo que é visualmente apelativo, tanta coisa no ecrã ajuda a distrair o jogador de modo a ser mais difícil acompanhar toda a ação. Estas informações podem ser desligadas, no entanto perde-se informação útil que dificulta a acessibilidade do jogo desnecessariamente. Existem dois tipos de missão, missão para Rank que é basicamente o Modo História e as Free Missions que são missões extra que permitem recolher aliados, equipamentos, dinheiro e materiais para pesquisa de novas armas. Na maior parte das missões jogamos com o nosso robot, embora existam algumas missões em que jogamos apenas como um mercenário infiltrado entre máquinas ou até mesmo em outras situações interessantes que entram no território do spoiler. Convém dizer que esses momentos são raros e que na maior parte do tempo estamos no nosso mech a fazer as coisas do costume. E é aqui que se encontra talvez o maior problema do jogo, são as coisas do costume. Ao longo de toda a minha experiência com Daemon X Machina, senti repetir vezes de mais aquilo que já estava mais que visto. As missões variavam entre destruir alguns pequenos robots com uma inteligência artificial muito parecida com os minions de um Hyrule Warriors (estão lá à espera de serem destruídos), missões para proteger um alvo, missões de exploração (muito curta), missões para chegar a um ponto específico do mapa e missões onde temos que destruir um boss ou um conjunto de robots do mesmo nível que o do jogador. Se vale a pena reforçar uma ideia é que as batalhas contra os bosses são uma das partes mais divertidas, provavelmente será um dos pontos mais criativos de Daemon X Machina. O loop do jogo embora aborrecido é bastante simples, fazemos missões no modo história e vamos misturando com missões extra, com as recompensas pela vitória customizamos o mercenário e o robot, organizamos o inventário de armas e equipamento e voltamos às missões. Depois (ou mesmo durante) o modo história o jogador pode decidir jogar online com amigos ou com desconhecidos e arrecadar mais recompensas para otimizar a customização. Antes de passar à conclusão devo acrescentar que a inteligência artificial dos Arsenals adversários, (o nome que o jogo dá aos robots utilizados pelos mercenários) é no mínimo estranha, quando os robots adversários se desviam muito do jogador ficam parados à espera de uma aproximação. Porque já estava aborrecido de jogar, comecei a aproveitar-me dessas falhas e arranjei forma de disparar à distância, enquanto os adversários ficavam quietos à espera de morrer. Por oposição, alguns Arsenals deslocavam-se a uma velocidade impressionante que me deixavam confuso para que lado é que devia disparar. Deparei-me com problemas de câmara em que os adversários eram tão rápidos e o mapa tão vasto que cheguei a levar por vezes meia hora para terminar uma única missão, mesmo que equipado com armas poderosas.

Variedade é um dos termos chave deste jogo. Se por um lado temos visuais bonitos e uma enorme personalização da nossa personagem e robot, por outro temos a falta de uma banda sonora mais vasta e uma fraca diversificação nas missões, tornando o jogo chato e aborrecido. Este é o sentimento que o jogo trás quando chegamos a meio do modo história – aborrecido. Não posso dizer que o jogo é medíocre, mas está muito longe de ser excelente.

Esta análise foi elaborada pelo nosso colaborador André Mendonça. Contexto do jogo até ao seu lançamento Desde a revelação de Daemon X Machina na E3 de 2018 fiquei curioso com o título. Embora toda a ação parecesse algo confusa, os visuais para uma consola híbrida como a Nintendo Switch mostravam…
Jogabilidade - 70%
Gráficos - 90%
Som / Banda sonora - 60%
Longevidade - 40%

65%

Recomendo o Daemon X Machina para quem tem uma paixão por ficção cientifica e robots (mechs), para quem gosta de visuais de animação japonesa e para quem gosta de jogar em pequenos intervalos de 15 minutos que é o tempo de duração média de uma missão básica, de modo a não se tornar altamente cansativo e enfadonho.

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Francisco Xavier

Gosto de todo o tipo de jogos mas os RPGs são os meus predilectos.
A minha plataforma favorita é a Super Nintendo e o jogo que me marcou mais foi o Super Mario World.
Nos tempos livres sou treinador de Pokémon e adoro Mac n' Chesse.
Francisco Xavier

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